A 2 passos da liberdade

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Seja as ou seja operária, seja sempre a abelha que você escolheu pra ser.

Hoje é dia 26 de novembro de 2014 e estou a poucos dias para uma vida livre de amarras. Ou ao menos da maioria. Definitivamente não estou bem com a rotina atual e não concordo com a estrutura da nossa sociedade. Não critico quem pensa sobre o todo e escolhe viver uma vida “normal”. Não critico os que pensam sobre isso.

Tenho aversão à maioria. A parcela da população (brasileira não, mundial mesmo) que nem pensa sobre a própria vida e escolhas e vive por viver. Que perpetua um modelo só porque foi ensinada assim. Que lutam por seus espaços na colmeia sem se dar conta de quanta vida e funções estão sendo exploradas pelos ases. E ainda são convencidos que estão pensando fora da caixa – mas dentro da caixa tem outra caixa (!!!).

Seja as ou seja operária, seja a abelha que você quer ser. Mas pense. E só depois defina. Não sobreviva, viva.

Trabalhei durante longos cinco anos de suor, aprendizado, conquistas, amizades e diversão. Antes disso trabalhei aqui e ali no que deve ter totalizado mais um ano. Tenho consciência de que isso não é metade do que muitos ralam e os trabalhos nem chegaram perto de quem realmente possui um serviço ao invés de um trabalho. Mas estes me foram suficientes pra me apontar o caminho que eu não quero seguir.

Na verdade o sentimento é mesmo “raulseixiano” de que “foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto e daí?”.

“Ah, você está insatisfeito com o seu trabalho…”

Não, não estou. Tenho um bom trabalho, recebo um salário legal, não morro de trabalhar e o mesmo fica a 15 minutos de bicicleta da minha casa, em Niterói – a cidade sorriso do Rio de Janeiro.

Mas meu problema não é meu trabalho, é trabalhar.

Em pensar que o seu Madruga já havia me dito isso a quinze anos atrás..

Então você é preguiçoso e comunista?

Não e não.

Para início de conversa, até sexo em quantidade exagerada enjoa. Então o que você acha que penso sobre o trabalho?

Somado-se a isso, nosso modelo ensina que além das oito horas diárias, temos que escolher uma profissão única para o resto da vida e sermos bem sucedidos e felizes com isso. Isso é possível?

Deve ser pra alguém, mas não pra mim.

Como no texto de Henry Sobel, vou pra liberdade como um navio que parte dessa margem, num breve adeus, mas que chegará em outras margens em júbilo para explorar o que a TV e os livros ensinam de forma tendenciosa.

Hoje estou com comichão na barriga, sorriso misto de felicidade e preocupação. Medo. Adrenalina. Êxtase. Vontade. Um turbilhão de emoções em sinergia que ecoam dentro de mim. Estou a dois dias de me demitir e planejar minha viagem sem grana e de carona, livre e com risco de perrengues inerentes a falta de recursos ou uso primitivo dos poucos que tiver.

E que bom que será assim. Quero sentir sabores; provar frutas; pedir; doar; sorrir e chorar; passar frio, fome e sede; ficar feliz e ficar triste; sentir saudades; me emocionar; me revoltar e ter acalanto; conviver com justiça e a injustiça; aprender e ensinar; saber a verdade e a mentira; compartilhar; não me omitir e ficar no meu canto fingindo que muita coisa não existe; e acima de tudo: viver de verdade.

Dizem os franceses que o orgasmo é a sensação mais próxima da morte, quando nosso lado racional se perde e estamos a mercê dos acontecimentos. Já ouvi também que monges budistas acreditam que o orgasmo se aproxima da morte e da pureza da vida, quando não pensamos no ontem, nem fazemos planos para o amanhã e sim, vivemos apenas aquele momento, com a intensidade que deveria ser a de sempre.

Sabe o Carpe Diem que muita gente tatua e nem sempre vive o significado? Nem eu ouso saber ainda, mas estou indo descobrir. Vem comigo?

 


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