Suas atitudes e cachoeiras: uma reflexão que irá mudar sua vida

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O Dilema da Cachoeira faz parte da sua vida e atitudes e você nem sabe

Saltar ou não? Sua vida, atitudes e cachoeiras têm mais em comum do que imagina e você não pode ignorar isso

 

A cachoeira

A cena é corriqueira em qualquer cachoeira com um platô natural para saltos. Alguns banhistas não querem nem imaginar como é subir a dezenas de metros, ficar de pé em uma pedra de pouco espaço, respirar fundo sentindo o perigo correr as veias e saltar sentindo a adrenalina dos segundos que antecedem um mergulho fundo no poção. Suas atitudes são simplesmente se manterem sossegados onde estão.
Alguns indivíduos simplesmente não almejam essa sensação, seja por desinteresse, seja por medo. Estão felizes apenas curtindo o poção, mergulhando raso e fotografando a linda queda da cachoeira. Estão bem e não há nada de errado nisso.
Mas ali, naquela mesma cachoeira, há outros banhistas com diferentes atitudes. Estes, mais ousados, desejam a adrenalina e o salto. Alguns foram ali só para isso. Outros estão observando a plataforma de pedra desde que chegaram. Eles decidem subir.
Caminham, escalam, e alcançam o cume tão cobiçado. Lá de cima são observados por dezenas de curiosos, muitos já tecem comentários. Alguns dão força para o salto. Outros insistem no perigo de saltar, mesmo sem nunca terem saltado. Ali vêem a cachoeira de forma mais ampla, contemplam todo o poção em uma linda vista. Ouvem barulho da fauna e o cheiro da flora de forma mais aguçada. Começa o frio na barriga. Ele aumenta. Alguns olham para baixo, outros preferem nem olhar. Transcorrem minutos até um novo divisor de águas: alguns irão abortar suas atitudes e desistir do salto, outros não.

Os primeiros observam por horas, vêem várias pessoas saltarem. Hesitam. Pensam, observam, calculam. Hesitam. Outros saltam. Planejam, respiram fundo, oram, ameaçam uma corrida breve. E? Hesitam. Outros saltam. Viram às costas e descem o caminho novamente até o poção, se juntando aos banhistas desinteressados ou receosos. Estão cabisbaixos, desanimados, chateados. Eles queriam saltar, no contrário não iriam tão longe, não subiriam até lá. Passarão o resto das horas se banhando no poção sem o mesmo deleite de antes. Serão intermediários perdidos entre os que se divertem sem almejar o salto, e os que se divertem tomando atitudes e saltando. Podem oferecer sorrisos, mas em seus íntimos sabem que não estão satisfeitos. Mas fazer o que? Escolheram hesitar, é “preciso” se conformar. Ou voltar lá.
Outros, poucos, irão até o fim. Esses sim tomarão as atitudes que querem. Sentirão a adrenalina do zumbido nos ouvidos desde a saída da plataforma de pedra até o barulho intenso do impacto na água. Poderão dizer com autoridade se é bom ou ruim; se vale a pena ou não. Mas agora que conhecem a sensação, a liberdade, normalmente querem mais. Saltam mais três vezes. Mais cinco. Mais dez. Continuam subindo e saltando. Viciaram. Seguem saltando até que percebem que ali já não fornece mais o prazer de antes. Ao contrário dos que não tomaram atitudes, são inconformados. Mas, bem, isto é assunto para uma outra história.

A sua vida na cachoeira

E o que essa cena na cachoeira tem a ver com sua vida, suas mudanças, atitudes e decisões de mudar seu estilo de vida para se tornar um viajante? Bem, você precisa observar por outro ângulo.
Os primeiros banhistas, os do poção, se contentam com a vida que levam, estão satisfeitos pelo que possuem e/ou lhe foram oferecidos. Os banhistas do poção são felizes viajando nos fins de semana, feriados e nas férias; estudando e almejando um bom cargo; criando filhos; comprando apartamentos; lendo jornais com uma xícara de café, enquanto revêem os gols do seu time de coração e reclamam da política do país. Não há nada de errado nisso. Qualquer realidade pode ser boa quando é uma escolha e não uma imposição ou comodismo. Cada um sabe (ou deveria saber) à respeito da sua própria busca pela felicidade.
Os segundos banhistas – os que almejam o salto, mas hesitam – são maioria na nossa sociedade. Estes não estão lá muito satisfeitos com a vida que levam ou a situação que se encontram. Costumam reclamar da própria vida e admirar a coragem de quem conseguiu ir até o fim, como eles queriam. Pensaram um pouco à respeito e estão inclinados a mudar. “Isso, é isso!”, eles dizem. Passam a desejar a mudança de vida (o salto). No contrário não pesquisariam ou pensariam à respeito. Nem cogitariam isso. Algo que está bom, que está feliz, não deixa dúvidas. Se há dúvida, há necessidade de mudança. Mas a grande infelicidade destes é justamente hesitar. Pensar, observar, calcular, planejar, respirar fundo, orar, ameaçar uma mudança breve, e? Desistir. Terminar conformado com a vida que leva, enquanto observa a felicidade de quem não almejou o salto e é feliz com o que vive; e a felicidade de quem almejou o salto e foi até o fim, saltou.
Você já escolheu o que quer, não há dúvida. No fundo você só quer comprovações e certificações para saltar, mas isso – sinto lhe dizer -você não terá. Você pode ter certeza que quem saltou não as teve. Somente saltando para saber.

Conclusão

Alguns não querem ir. Outros chegam e saltam, vendo que era bom saltar e se perguntando “por que não fiz isso antes?”. E os que não saltam desistem, sem felicidade plena, ainda esperando uma comprovação que nunca virá. Nunca saberão como é o vento na orelha, pensamentos em milissegundos, e a água fria na cabeça. Viverão de suposição.
Muitos passam a vida toda se preparando para o que nunca será posto em prática. Ninguém precisa começar grande. Só precisa começar. As coisas se ajustam com o tempo.
O que consola é que a cachoeira estará sempre lá. O ruim é que não estaremos sempre aqui. Ela sim, nós não.
Você prefere hesitar ou tomar uma atitude? Se você já pensou sobre as mudanças que almeja e sua intuição contraria sua razão dizendo que deve saltar, o que você está esperando? Hesitar é a pior atitude (ou falta dela) que você pode tomar por si mesmo. Pense bem.

Foto divulgação: Zé Viagem


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