35 lições de vida mais valiosas que aprendi viajando

Lições de vida na estrada: as coisas mais valiosas que aprendi viajando

Já compartilhei aqui as 10 coisas que aprendi viajando sem dinheiro, lições de vida e aprendizados acumulados durante os 8 meses que saí para viajar sozinho e totalmente sem grana.

Mas eu segui viajando, e ao olhar para todo o caminho que fiz, de pensar, refletir e meditar, vejo que – com o perdão do clichê – eu já não sou mais o Bernardo que saiu para viajar. Aprendi segredos para viver melhor que vou carregar para sempre e espero passar para meus filhos, netos, e a quem tenha interesse em ouvir (ou ler).

Hoje, quero compartilhar, aqui no Instinto Viajante, esses aprendizados do meu mochilão com você – longe de querer soar como dono da verdade ou algum sábio, mas apenas por que ficaria agradecido que um amigo tivesse me falado sobre esses pensamentos mais cedo em minha vida. Acredito que o mundo será melhor quando mais pessoas adotarem mais itens dessa lista, de forma verdadeira e natural.

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Minhas lições de vida viajando

Sim, o artigo é grande, mas garanto que vale a pena sua leitura, mesmo que leia aos poucos (você pode até ler um item por dia). Confira agora minha lição de vida mochilando e compartilhe com seus amigos!

1. Que é preciso ter empatia, de verdade

Empatia encabeça a lista por que, talvez, tenha sido a lição mais importante que aprendi. Trata-se de se por, de verdade, no lugar do outro.

Ouvi e falei isso a minha vida inteira, mas fui praticar de verdade viajando por mais de um ano. Seja pensando comigo mesmo quando viajei sozinho, seja conversando quando viajei com a Isabela.

É uma reflexão corriqueira quando passamos frio na estrada, pedindo carona ou acampando ao relento, em noites que não tínhamos um anfitrião na cidade; ou das vezes que escolhemos as marcas mais baratas, reduzimos a quantidade de compras, e fazemos diversos cálculos para economizar no mercado. O pensamento de que há pessoas que vivem essa luta diariamente.

Para nós, que não somos ricos, mas temos ideia dos nossos privilégios na sociedade, muitas das dificuldades da estrada são passageiras e o dia que não estivermos mais curtindo ou aguentando, vamos retornar às nossas cidades ou recomeçar a vida em alguma cidade. Contudo, sabemos que há pessoas que não possuem essa escolha, que vivem essa luta e dificuldades todos os dias, em uma sociedade que fabrica injustiças diariamente.

Nós passamos a ter um grau de empatia com a dor do outro muito grande e verdadeira. Dor, frio, falta de dinheiro, problemas, pedir carona na estrada, precisar de um lugar para dormir, precisar de uma mão, são sentimentos que sentimos na pele viajando e hoje em dia vemos com outro olhar. Hoje nos pomos mais no lugar do outro, deixamos de lado os orgulhos e barreiras sociais, e aumentamos nosso senso de coletividade, e respeito ao outro.

2. Que todos são capazes

Ao longo da vida, percebi que uma das práticas que fomentam a desigualdade social e justificam largas diferenças salariais é a de convencer a outra pessoa de que ela não é capaz. E, pior, muitas pessoas aceitam essa condição de incapazes.

Essa prática foi agravada no pós-fordismo, quando Henry Ford passou a distribuir pessoas ao longo de uma esteira de produção para apertar parafusos, mudando para sempre a distribuição mundial do trabalho.

O primeiro ponto é que, as pessoas precisam convencer as outras que são mais capazes que elas para justificarem sua posição social. Sendo assim, o diretor de uma empresa precisa dizer que negociar e gerir é uma técnica muito mais difícil do que realmente é, para que o estagiário, ou o faxineiro, não questionem sua posição na empresa, ou seu salário bem maior.

O mesmo acontecia comigo antes de conseguir um diploma universitário e antes de conseguir um emprego. Eu acreditava que o diploma era bem mais inalcançável do que realmente foi e para conseguir um emprego, que mexer no Excel era algo de outro mundo.

Hoje sei que o diploma é mais valorizado por quem não o tem do que para quem o conquista, e que usar o Excel é algo que a maioria das pessoas que conheço aprenderiam, se acreditassem na própria capacidade, inclusive as que nunca fizeram cursos ou faculdade.

O segundo ponto foi causado pelo fordismo. Ao fragmentar tanto o trabalho, as pessoas passaram a ser especialistas em funções muito específicas, concentrando seus esforços, habilidades e vida inteira em poucas tarefas.

Eu, por exemplo, sou economista e trabalhei anos em escritório, com administração, gestão e contabilidade. Não me sentia capaz de fazer nada do mundo mais prático até viajar. Viajando, descobri que gosto e sou bom cortando gramas, e que consigo trabalhar em muitas outras funções práticas da vida, como construção e hortas. Deixei o medo comum do trabalhador de poucas funções para trás e descobri que sou capaz de recomeçar minha vida em diversas profissões, quando desejar ou necessitar.

Você vai ouvir por toda vida que chegar até onde você chegou é fácil, mas que o difícil será o próximo passo. Esqueça essa mentira, você é capaz de conquistar tudo que desejar e se esforçar para alcançar.

Depois de mochilar, descobri minha coragem para mudar, sabendo que se der errado eu tentei e posso tentar outra vez, outra coisa, em outro lugar, várias vezes.

A sociedade mente por que precisa convencer a diferença entre salários e níveis de vida. Mas todos são capazes de mudar a própria vida. Nem todos (as) podem alcançar alguns patamares da sociedade (ou pode ser mais difícil), pois a meritocracia é uma mentira, mas todos (as) são capazes de revolucionar a própria vida e serem felizes. Isso vai além de status, dinheiro e conforto.

3. Que investir em curso de idiomas é besteira

Antes de sair para viajar eu já não acreditava muito no poder dos cursos de idiomas, que, normalmente, são baratos e muito longos ou curtos e caros.

Esses primeiros com grande percentual de abandono e enorme chances de o aluno não aprender quase nada além do “olá, meu nome é…” e do “como vai você?”, em diálogos de livros, mas que não refletem exatamente a linguagem que se fala nas ruas e no dia-a-dia das pessoas fluentes em uma língua.

Os intensivos e mais caros até ajudam, mas não compensam o preço que cobram e não é qualquer pessoa que pode pagar.

Viajando, concluí que, realmente não vale a pena pagar um curso de idiomas.

Eu investiria esse dinheiro em uma viagem por um país que fale a língua desejada. Provavelmente você gastará menos dinheiro, menos tempo, e terá um aprendizado melhor, com o verdadeiro idioma utilizado pelas pessoas, menos mecanizado.

De 3 a 6 meses é um tempo ótimo para aprender e 1 ano, suficiente para falar bem. Para melhorar a escrita leia livros no idioma estudado (livros comuns, como romances) e/ou contrate aulas particulares no país escolhido, que serão mais baratas que no seu país.

4. Que boa vontade é uma das chaves para um mundo melhor

Que a má ou boa vontade das pessoas podem definir muito mais do que se pensa.

Ao encontrar uma pessoa de boa vontade somos entendidos mesmo que não falemos nada do idioma. Também chegamos longe tendo apenas boa vontade, acredite. Tenha boa vontade em tudo que for fazer em sua vida e, principalmente, para com as outras pessoas.

Se você faz algo sem vontade, como um trabalho, por exemplo, está na hora de repensar isso.

5. Que solidariedade é a outra chave

Ao contrário do que diz a TV, as pessoas são muito solidárias e existem mais pessoas boas que ruins no mundo.

Não interessa se você é uma pessoa estranha que nunca foi vista, sempre haverá uma mão para ajudá-la nos momentos de maior necessidade. Basta você estar aberto (a) a ajuda.

Eu e Isabela costumamos dizer que nossa viagem não existiria sem a solidariedade das pessoas, e isso é a mais pura verdade. Nós somos gratos e passamos essa solidariedade em diante.

Não importa se você pense que a pessoa mereça ou não, apenas faça sua parte. Faça o bem sem olhar a quem, de verdade, e independente de um dia você receber algo em troca. O Universo irá se encarregar do resto.

6. Que a Lei do Retorno existe

E, por falar em Universo, há uma lei que tem muito a ver com o que acabo de dizer.

A Lei do Retorno é um dos maiores aprendizados que tive viajando. Como o Carma, ou a Lei de Causa e Efeito, para o budismo.

Se você faz o bem, o bem volta pra você. E se você dá ao mundo negatividade, coisas ruins voltarão para você. Simples assim.

Portanto, tenha pensamento positivo, auto-estima e faça o bem, independente de enxergar o retorno. Esqueça a recompensa, apenas faça.

7. Que o que ouvimos dos outros países não são bem assim

Cada novo país que cruzo e cidade que viajo, me faz descobrir que, quase tudo, que me contam dos lugares é mentira, equívoco ou exagero, seja positiva ou negativamente.

Muitos lugares tem fama superior ao que são e outros são bem menos feios, perigosos ou desinteressantes do que as pessoas dizem.

Tudo é relativo e depende do gosto, astral, personalidade, tempo de estada, e ótica de cada um. Uma pessoa mal humorada e pessimista pode transformar o lugar mais belo num horror.

Viaje. Descubra você mesmo os destinos de viagem que valem a pena. Você irá surpreender-se, inclusive em saber o quanto seu país é bom e há que valorizar muitas coisas.

8. Que não há desculpa para não viajar

Como contamos no artigo desculpas para não viajar (e uma resposta para cada uma), viajar não tem desculpa, basta querer.

Pela estrada, um (a) viajante mochileiro (a) sempre irá encontrar todos os tipos de viajantes: homens e mulheres sozinhos; casais de amigos ou parceiros sexuais; pessoas em bicicleta, de carona, de moto, de carro, de Kombi, de Motorhome; famílias com filhos pequenos; pais e mães solteiros com filhos; idosos; pessoas com muito dinheiro, com pouco dinheiro, e sem dinheiro; artesãos, músicos, malabaristas, e pessoas que não sabem fazer nenhuma dessas coisas; pessoas saudáveis, nem tanto, ou deficientes; de todas as etnias, etc.

Por mais que algumas pessoas discordem por que pensam que só existe um estilo de viagem (gastando muito), viajar é uma das coisas mais democráticas do mundo e depende muito mais da vontade do que de dinheiro ou outras limitações que, normalmente, estão apenas em nossas mentes.

Também não há garantias ou momento ideal (leia o dilema da cachoeira e entenda que esse momento nunca irá chegar). Se você quer realmente viajar, você consegue. Aliás, nada na vida tem desculpa.

9. Que tudo é relativo

“Tudo é relativo” é um dos clichês mais verdadeiros do mundo. Realmente tudo é relativo e você deve acrescentar sempre, em todas as suas observações, o outro ponto de vista da história.

Viajando, você percebe que as guerras que estudou nas escolas não foram bem assim, que os heróis não eram tão heróis assim, que os descobridores e libertadores não são bem o que dizem, etc.

Você revê o senso comum, tabus e padrões, e questiona cada vez mais todos eles.

Talvez seja por isso que voltar de viagem e rever os (as) amigos (as) com as mesmas opiniões seja tão difícil de lidar.

10. Que devemos mudar nós mesmos e não o mundo

Um outro clichê que é confirmado viajando é o que, supostamente foi dito por Mahatma Gandhi, na imortalizada frase “seja a mudança que você quer ver no mundo“.

Antes eu tinha o sonho romântico de mudar o mundo e vivia tentando fazer as pessoas entenderem como deveriam agir, segundo minha limitada versão de mundo ideal.

Hoje, depois de viajar quase um ano e meio, percebo melhor a amplitude e complexidade desse assunto, e vejo que a melhor coisa é darmos ao mundo, através de exemplos no dia-a-dia, o que gostaríamos de receber. Acredito na mudança por exemplos e não por conselhos.

Acredito em algumas manifestações nas ruas, mas acho menos eficiente do que mudanças em nosso dia-a-dia. Um boicote a sistemas, produtos, e empresas que você não acredita, seja deixando de consumir as marcas, ou pedindo demissão das empresas que não condizem com seus ideais; fazer uma horta caseira, ou separar seu lixo, independente de haver coleta seletiva no bairro; são coisas que representam mais do que qualquer ato rebelde nas ruas.

Você não deve tentar convencer alguém do seu ponto de vista, explicando a fórmula mágica da felicidade. Procure ser feliz à sua maneira, sem incomodar, nem explorar as outras pessoas. Se você for feliz será exemplo para que outras pessoas mudem para melhor e, consequentemente, o mundo mude. Veja 8 atitudes simples por um mundo melhor que você pode adotar.

11. Que todos amam o Brasil no exterior

Algumas pesquisas de revistas de viagem costumam citar os brasileiros dentre os povos mais queridos do mundo e isso é comprovado ao viajar para o exterior.

Nós fomos muito bem recebidos nos países que passamos, sempre com elogios e simpatia. Geralmente os estrangeiros que já foram ao Brasil dizem que também foram muito bem recebidos.

Em geral, as pessoas sorriem ao ouvir que somos do Rio de Janeiro, no Brasil, e muitas vezes questionam: “e o que estão fazendo aqui? Se eu pudesse estaria lá”.

12. Que as pessoas têm problemas muito parecidos

Que os problemas diários que nos queixamos no Brasil, são, em sua maioria, problemas enfrentados e reclamados em quase todos os países do mundo. Normalmente ligados à política, corrupção, trabalho, salário…

Países que são menos afetados por esses problemas econômicos, sociais e éticos, possuem outros problemas, como clima, dificuldade de relação humana entre a população, e taxas elevadas de suicídios, dependência química, e depressão.

13. Que o Brasil tem um clima ótimo e muitas outras qualidades

Viajando, aprendi a valorizar bem mais algumas qualidades do Brasil, como o clima tropical (principalmente do litoral de São Paulo até o nordeste), a natureza, a variedade de frutas, legumes e verduras, os preços (acredite, no Brasil os preços são baixos em relação a muitos países), e a boemia – a cultura de tomar cerveja nas ruas, botecos, e praias.

14. Que em regiões frias usar chinelo fará de você um (a) estranho (a)

Eu sempre caminho de chinelo, mesmo em lugares frios, e é muito engraçado porque em todos os lados as pessoas me olham com diversas fisionomias diferentes, como quem dizem coisas do tipo: “está louco?”, “não tem um tênis?”, “não sente frio?”.

Usar chinelo em lugares frios fará de você um (a) extraterrestre.

15. Que não existe trabalho melhor ou pior

Viajando e trabalhando em diversas funções, mais leves e mais pesadas, aprendi que todos os trabalhos são fundamentais para a vida em sociedade e igualmente importantes, mesmo que em detalhes.

Um diretor de uma empresa não consegue negociar bem se sua sala não for bem limpa pelas pessoas da limpeza, assim como uma cidade não funciona sem o trabalho dos e das garis.

Ao trabalhar na estrada em variadas funções, aprendi, inclusive, que a maioria delas, principalmente as mais manuais, são muito mal remuneradas em relação ao esforço, desgaste, e importância que possuem.

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16. Que quanto mais esforço algo exige, mais gratificante é de realizar

Durante minha viagem sozinho e, depois, ao lado da Isabela, nós sempre ficamos muito felizes ao conquistarmos algo com suor. Subir uma montanha, caminhar e pedalar longas distâncias, um trabalho duro, são alguns dos exemplos que vivenciamos no caminho e que foram muito gratificantes.

17. Que a vida seguirá bem igual

Em uma longa viagem você descobrirá que também existe rotina, ainda que diferente e mais legal para quem gosta. E ao retornar para casa você verá que a vida do seu círculo de amigos (as) e família permanecem mais ou menos as mesmas.

Com raras excessões, serão os mesmos trabalhos, consumos, problemas, assuntos, e velhos preconceitos. Pouca coisa muda e você se da conta do quanto a vida nessa sociedade padronizada é estática, e muitas vezes, pouco emocionante.

18. Que na vida existe uma grande diferença entre o que você precisa e o que você quer

No dia-a-dia é comum ouvir as pessoas dizendo que “precisam de um telefone novo”, “de um notebook novo”, “de um armário novo”, etc. Mas é preciso entender a diferença entre o que você precisa e o que você deseja, e poucas pessoas possuem esse discernimento.

Ao reparar nisso, você se dá conta de que não precisa da maioria das “coisas”, mas sim que as deseja, ou que é programado (a) para desejar.

→ Veja o artigo ter, querer, e a linha do trem, onde falo mais sobre isso.

19. Que não temos necessidades ilimitadas

Durante a faculdade de economia, a primeira coisa que aprendi foi o princípio básico da economia, de que “a economia serve para resolver o problema de que as pessoas possuem recursos escassos e necessidades ilimitadas“.

Viajando descobri que isso é uma das maiores mentiras que aprendi. As pessoas não possuem necessidades ilimitadas, elas são induzidas pelo nosso atual sistema econômico, a acharem que possuem necessidades, a fim de que consumam mais. E essa ideia é introduzida na cabeça das pessoas principalmente por meio do marketing moderno. A publicidade e marketing são mais nocivos nos dias de hoje do que o dinheiro.

As pessoas não possuem necessidades ilimitadas e recursos escassos, mas sim capacidade de realização extraordinária e compulsão em realizar mais coisas, sejam alcançar objetivos materiais ou sensoriais.

20. Que não estamos no controle da situação nunca

Um (a) mochileiro (a), ao largar sua antiga vida para viajar, ao ir para estrada esticar o dedo por uma carona, sem saber se irá chegar, quando irá chegar, e onde irá dormir, já aceita automaticamente que não possui o controle da situação nunca. Essa cláusula é parte do contrato firmado por qualquer viajante, ainda que ele/ela não tenha se dado conta disso.

Viajando, percebi que a forma de sociedade comum faz com que as pessoas passem a maior parte do tempo planejando coisas. Planejamos mais que vivemos e na maioria das vezes nem nos resta tempo de viver o planejado.

Algumas pessoas planejam mais que outras, mas, em geral, todas planejam. A gente normalmente sabe (ou quer saber) o que vamos fazer, onde vamos fazer, com quem e como vamos fazer. O que não nos damos conta é que nem sabemos exatamente por que vamos fazer. E quando qualquer ponto sai do lugar, a gente se estressa.

Eu já perdi uma pessoa muito próxima e querida, e quando isso acontece percebemos (da pior maneira) que não temos o controle de nada. O mesmo ocorre quando se perde um emprego de décadas, ou com o fim de um longo relacionamento. A primeira certeza que se tem é que não há poder nem domínio nenhum da situação, e essa é simplesmente muito frágil.

Você pode estar melhor ou pior preparado (a) para vida, mas ela nunca está sob controle – será sempre um copo em cima da mesa, mais ou menos pra beira de acordo com seu preparo, rotina e sorte.

Agora, viajando, eu nunca sei o que vai acontecer amanhã; eu não sabia sobre o que aconteceria ontem; eu to sempre como num oceano: podemos ser bons nadadores e tudo mais, mas se tiver que acontecer algo, vai acontecer. O mar é quem manda. A gente está à mercê do oceano.

E minha viagem é bem assim, eu posso me dar bem, conhecer uma pessoa legal, alguém pode me dar algo que eu precise, mas também pode ser o oposto. Posso me machucar gravemente e ter de voltar pra casa, meu chinelo pode arrebentar, eu posso ser roubado. Posso pegar chuva ou posso caminhar pela praia com um lindo dia de sol. Eu tenho completa noção disso.

Portanto, mesmo que esteja vivendo na sociedade, em uma rotina comum, tenha sempre noção de que você nunca tem o controle definitivo da situação, não importa seu preparo, crença, ou classe social.

Esteja preparado (a) o máximo que puder pra vida, para situações adversas, pros choques naturais do Universo, mas não se iluda. A gente está sempre à mercê das energias que nos rodeiam.

Aceitar que não se está no controle nunca, traz leveza, como quando budistas aceitam a morte e o sofrimento.

21. Que quanto maior sua mochila, mais peso você irá carregar

A carga da mochila é pesada como a carga da vida. Desapegue. Do estresse, da carga, seja ela física e material, ou psicológica. Perdoe quem tiver que perdoar, peça desculpas e viva leve.

E, é claro, ao sair para viajar, lembre-se que quem carrega o peso da sua mochila é você. Viaje com uma mochila leve e viva leve.

→ Veja mais: Como escolher uma mochila cargueira

22. Que não importa quanto cuidado você tome, coisas serão esquecidas e perdidas

Eu já perdi as contas de quantas coisas perdi viajando. Não adianta o quão cuidadoso (a) se é, saiba que você perderá muitas coisas durante seu mochilão. Assim também é a vida, onde já perdi muitas coisas e sei que ainda perderei.

23. Que as pessoas que têm pouco dividem mais

Principalmente durante minha viagem solitária e sem grana, percebi que realmente é uma regra mundial: quanto menos as pessoas têm, mais solidárias são.

Muitos carros grandes e modernos não me deram carona, enquanto muitos carros antigos, modestos e apertados pararam para me ajudar, ainda que quase sem espaço. Pessoas com casas muito modestas também me hospedaram e ajudaram muito pelo caminho.

Essas pessoas são mais felizes, menos individualistas e não têm medo de perder nada, nem egoísmo em compartilhar o pouco que possuem. Diferente de muitas pessoas abastadas que vi e conheci.

24. Que viajar abre a cabeça

Aprendi mochilando que a maior tristeza da vida de uma pessoa é ter opinião formada. A pessoa que nasce e morre com muitos pensamentos fixos não aprendeu durante sua vida.

Seja uma metamorfose ambulante, mudar de opinião não significa ser uma pessoa hipócrita ou contraditória, mas sim abrir a cabeça e ter humildade de ser mudado (a).

Viajar te fará abrir muito a cabeça, ao conhecer novas pessoas, culturas, regras, valores, e maneiras de viver.

25. Que viajar é uma ótima maneira de se desapegar de datas comerciais

Me dei conta de que, viajando, não damos a mínima para datas comerciais, como páscoa, dia dos namorados, dia das crianças, aniversários, etc. Viajantes até lembram dessas datas e podem até incluir uma pequena comemoração, mas está longe de participarem da cadeia de consumo fomentada pelas modernas datas comemorativas comerciais.

26. Que você não é o centro do universo

Você vai estar em um país, cidade, lugar, onde ninguém te conhece e ninguém está pensando em você. Diferente do seu meio social, você é mais um (a) e na verdade não é muito.

Somos mera micro-poeira cósmica, em um planeta muito pequeno, de uma das menores galáxias do Universo. E é isso que somos e nada mais.

Inclusive, a vida de ninguém parou por que você saiu. E tanto durante sua viagem, quanto ao voltar, você verá que muitas pessoas que você pensava que faziam questão da sua presença deixarão de te enviar mensagens ou não irão visita-lo (a) em seu retorno.

O lado bom é que você tem a certeza de quais são as amizades verdadeiras, e pode trabalhar seu próprio orgulho e humildade.

27. Que a liberdade é a coisa mais viciante que já experimentei

A liberdade é incrível. O não ter compromisso com nada, nem ninguém, além de você mesmo, é inexplicável. É preciso sentir. E isso não vem com uma viagem de férias, ainda que sem roteiro, pois há a data de volta.

Viajar sem saber quando voltar e nem onde estará hoje, amanhã ou quando terminar, é especial. A sensação de não saber a diferença entre domingo e segunda-feira é uma das melhores coisas que experimentei na vida.

28. Que é possível trabalhar uns meses e viajar outros

Viajando, conheci diversas pessoas que trabalham de 3 a 6 meses no ano e viajam o restante, e vi que isso é perfeitamente possível. Para mim essa foi uma das “descobertas” mais geniais na estrada.

A pessoa que, como eu, faz universidade e se inicia em uma profissão, normalmente, tem na cabeça a ideia de que se deve escolher uma profissão e seguir pelo resto da vida. Ademais, essas pessoas – como eu fui – se esforçam para seguir uma carreira, ficando por anos em uma mesma empresa, e desfrutando da vida apenas nos fins de semana, feriados e férias (e em alguns casos sendo demitidas depois de mais velhas, dando lugar a outra pessoa mais jovem e barata).

Durante meu mochilão vi que isso não deve ser uma regra. Conheci pessoas muito felizes, inteligentes e bem sucedidas que vivem de trabalhos temporários, sejam trabalhando para outras pessoas, sejam trabalhando por conta própria.

Normalmente trabalham em temporada alta e viajam na baixa, e/ou trabalham em países e cidades com salários mais altos e viajam por cidades e países mais baratos.

29. Que a vida é melhor devagar

Que a vida é naturalmente leve e devagar, o atual sistema social padrão é que faz dela uma corrida e uma competição.

Desacelere. Viva mais devagar e tranquilo (a). Concentre seus esforços não em ganhar mais dinheiro, mas em reduzir seu consumo, para que você possa reduzir suas horas de trabalho e sobrar cada vez mais tempo para aproveitar a vida. Todos os seres merecem gozar da vida. Você também!

30. Que o Universo conspira mesmo a favor

Disse Johann Goethe, “quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor“. E isso é a mais pura verdade.

Há quem diga que é Deus, outros que são energias, e até quem afirme que não passam de ilusão, creditando apenas ao esforço humano.

Independente da sua crença, eu aprendi viajando que quando desejamos algo de coração, com força de vontade, e nos concentramos, o Universo conspira para que tenhamos sucesso. E é por isso que minha vida-viagem sempre foi um sucesso pra mim.

31. Que música, arte, cultura, cozinhar, artesanato, facilitam muito sua vida

Acho engraçado quando as pessoas me perguntam se eu toco algum instrumento, sei cozinhar, fazer artesanato, drinks, malabarismo, etc, e eu respondo que não.

Eu não tenho nenhuma dessas habilidades, nem nunca me dediquei muito a elas. Mas hoje penso que valem a pena sim, principalmente desde jovem.

Dedique um tempo do seu dia-a-dia a aprender coisas que possuem relação interpessoal direta.

Tocar um instrumento, saber sobre arte, desenho, pintura, cultura, ler, cozinhar, fazer artesanatos, são habilidades que irão facilitar muito sua vida, e eu não estou dizendo apenas viajando.

32. Que o amor e a felicidade curam

Viajando notei que, rodeado de amor e feliz com minha caminhada, me esqueci de alguns problemas de saúde que me afetavam permanentemente em minha antiga vida e rotina. Amor, felicidade e coisas boas irão deixar seus problemas de saúde em segundo plano, acredite.

33. Que a felicidade está dentro de você

Que você nem precisa sair do lugar para se encontrar e encontrar sua felicidade. Mas sua cabeça precisa.

Se você consegue transferir seus pensamentos e foco para outra realidade, enquanto vive a rotina, eu lhe parabenizo. Eu, antes de viajar, não conseguia, e por isso precisei do mochilão.

Hoje sei que a felicidade realmente é um estado de espírito e está dentro de nós, assim como a coragem. Basta irmos além das distrações cotidianas e problemas, termos acesso a ela, e sermos felizes.

34. Que viajar não é perigoso

Que, diferente do que as pessoas acreditam e do que vemos na televisão, viajar não é perigoso. Para cada caso isolado de problemas que vemos na TV e nos jornais, existem muitos mochileiros, mochileiras e viajantes, que estão viajando bem, sem sofrer qualquer tipo de violência, e felizes com a vida nômade que levam.

A frase “viajar é perigoso” é uma lenda. Provavelmente é mais perigoso viver em uma grande cidade do que viajar vários países.

35. Que o mundo está mudando

Viajando, conhecemos dezenas de pessoas que estão largando o emprego para tentar outra vida, se mudando, largando tudo para viajar, etc.

Além de outras pessoas que não largam tudo, ou por que não querem ou por que não podem, mas que estão mudando seus hábitos, sua maneira de consumir e ver as coisas, evoluindo socialmente e espiritualmente (algo que não tem a ver com religião).

Muitas pessoas se interessando por bioconstrução, permacultura, natureza, fazendo horta em casa, mesmo em espaços reduzidos e apartamentos, ou em lugares frios.

Pessoas virando vegetarianas e veganas, ou ao menos reduzindo seu consumo de carne, e se interessando em saber sobre a cultura das pessoas que – ainda que gostem do sabor – estão evitando comer carne. Pessoas dedicando mais tempo para ajudar as outras e realizando trabalho voluntário.

Muito mais pessoas de cabeça aberta, interessadas em endossar a contra-cultura. Muitas pessoas atentas em como podem viver melhor e transformar o mundo aos poucos, num trabalho de formiguinha, vendo o valor do boicote e lendo sobre anarquismo.

Muita gente revendo atitudes, comentários, piadas e tudo que envolve intolerância, como o racismo, sexismo, machismo, xenofobia, homofobia, etc.

Enfim, o mundo está mudando. Para melhor. Para todos. Você pode mudar junto ou ficar para trás.

Obrigado pela leitura e boa viagem!

Essas foram as coisas que aprendi viajando. Curtiu os aprendizados? Compartilhe com seus amigos! =)

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Fotos do artigo: Pixabay

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