Soroche: o que é e como evitar o mal de altitude ou mal de altura (15 dicas)

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O que é soroche ou mal de altitude, sintomas e como evitar

Quer saber o que é soroche? Está planejando uma viagem para alguma região com altitude elevada, como Machu Picchu, no Peru, e está preocupado (a) com o famoso mal de altitude, sofrido por organismos não adaptados à altura?

Entenda melhor o que é o mal da montanha, quais são seus sintomas, se você deve tomar medicamentos, e dicas para amenizar os problemas com altitude durante a viagem para o Peru, Bolívia, Atacama, no Chile, ou qualquer outro lugar!

Há poucos dias, falamos aqui no Instinto Viajante, sobre o que é jet lag e 21 dicas para amenizar seus efeitos, e também da importância de contratar um seguro viagem internacional.

Hoje falaremos sobre os problemas sofridos em viagens para cidades muito altas em relação ao nível do mar e 15 dicas de como prevenir o mal de altitude (soroche).

Você pode acompanhar o artigo completo ou ir direto ao assunto de seu interesse, clicando nos links abaixo

Outros nomes: mal de altitude, mal de altura, mal de montaña (mal da montanha), mal de páramo, apunamiento, puna, ou yeyo.

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Alpes suíços estão na lista de destinos com risco de mal de altitude ou soroche. Outros destinos são Machu Picchu, no Peru, Atacama, no Chile, cidades da Bolívia, Himalaia, etc. Foto: bestourism.com

O que é Soroche, o mal de altitude, e como prevenir?

Soroche, ou mal de altitude, são os nomes populares do mal agudo de montanha (MAM), que define a falta de adaptação do organismo a ambientes com ar rarefeito, nome do ar atmosférico em regiões de grandes altitudes, como os Andes, o Himalaia, e os Alpes Suíços.

Pessoas que estão acostumadas ao nível do mar ou altitudes baixas, estão propícias a sentir sintomas de mal estar em altitudes de 2.500 M ou mais. Além disso, lugares com altitudes maiores de 7.500 M, começa a popular Zona da Morte, onde só é aconselhado para escaladores e montanhistas bem treinados, e para estar por poucas horas. Isso, pois, quanto mais alto estamos, menor a pressão atmosférica e quantidade de oxigênio disponível, dificultando a respiração e gerando falta de oxigênio no sangue.

O soroche é algo que viajantes devem atentar-se, pois podem estragar a viagem e causar sérios problemas de saúde.

A boa notícia é, que assim como o jet lag, podemos prevenir e evitar os sintomas do mal de altitude, conforme mostraremos nessas dicas.

seta-instinto-viajante Sintomas do mal de altitude

Os principais sintomas do soroche estão ligados a problemas físicos e fisiológicos. Existem pessoas que não sentem nada ao viajar para lugares de grandes altitudes, enquanto outras chegam a sofrer por mais de três dias. Em geral, o mal estar aparece logo após sua chegada na cidade e é mais fortes durante a noite, mas pode demorar alguns dias até aparecer. Dentre os efeitos estão:

  • Cansaço geral
  • Mal estar
  • Fadiga
  • Fortes dores de cabeça
  • Tontura
  • Insônia
  • Enjoo
  • Náusea e vômitos
  • Falta de apetite
  • Dispnéia noturna súbita (acordar de repente com sensação de falta de ar)

Sinais de muita preocupação:

  • Excesso de cansaço e sonolência
  • Falta de ar mesmo estando em repouso
  • Tosse espumosa ou com sangue
  • Perda da coordenação motora ou da fala
  • Alterações visuais
  • Alucinações

Casos muito graves podem causar:

  • HACE ou edema cerebral de altitude (líquido no cérebro)
  • HAPE ou edema pulmonar de altitude (líquido nos pulmões)

Sintomas de edema cerebral (HACE)

É o efeito mais grave do mal de altitude. Estatisticamente, as chances de edema cerebral, para os que sobem de 4.000 a 5.000 M, é de 0,5% a 1%. Os principais sintomas são:

  • Fortes dores de cabeça
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Perdas de visão
  • Mau humor
  • Confusão
  • Perda de raciocínio
  • Perda de consciência
  • Convulsões
  • Coma

Sintomas de edema pulmonar de altitude (HAPE)

O segundo mais grave. O edema pulmonar costuma aparecer em altitudes superiores a 3.000 M, e permanece por dois ou mais dias, agravando-se ao continuar subindo e com a velocidade da mesma. As chances são de 0,2% em 4.000 M subidos em quatro dias, e de 2% para 5.000 M subidos em sete dias. Essa última, quando atingida em um ou dois dias, tem chances de 6% a 15% de edema pulmonar. Pessoas que já tiveram edema pulmonar possuem até 60% de chances ao subirem até 4.500 M em um ou dois dias. Os principais sintomas são:

  • Falta de ar
  • Tosse
  • Fadiga
  • Pressão e/ou dor no peito
  • Palpitações
  • Chiados durante a respiração
  • Lábios, orelhas e unhas em tons azulados
  • Cianose
  • Presença de sangue no escarro

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seta-instinto-viajante Como evitar soroche, o mal de altitude (15 dicas)

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Mascar folhas de coca é uma das tradições andinas para previnir o mal de altitude. Foto: paraquesirve.info

Geralmente, o mal de altitude é provocado por mudanças grandes de altitudes em um curto período de tempo, para pessoas não adaptadas. Segundo o artigo de Drauzio Varella, 10% a 25% das pessoas não aclimatadas, desenvolvem sintomas leves a moderados num período de seis a 12 horas, ao subirem para altitudes de 2.550 M. As chances aumentam para 50% a 85% dos que atingem 4.500 m a 5.000 m.

Ao contrário do que alguns dizem, preparar-se fisicamente e treinar antes da viagem não evitará os problemas causados pelo mal de altitude. O esforço físico agrava o quadro, mas a boa forma física não ajuda a prevenir – vide jogadores de futebol bem preparados que sofrem em partidas pela Libertadores da América.

As principais variáveis que influenciam no mal de montanha é o quão rápido se ganha altitude, a idade, quantos dias se permanece em regiões altas, e a quantidade de esforço físico que se faz.

soroche tem mais chances de aparecer em mulheres, pessoas com mais de 46 anos, e quem sofre de enxaqueca.

Minha experiência

Em minha viagem para a Bolívia cheguei aos 5.000 M de altitude e não senti nenhum dos sintomas de mal de altitude, mesmo tendo dispensado mastigar coca, já que achei o sabor (e o cheiro) muito ruim. A única coisa que percebi foi que me cansava mais rápido para fazer atividades físicas.

O que fiz foi mover-me com mais calma que o normal e beber muita água e estive melhor do que amigos que estavam mascando coca durante todos os dias. Além de hidratar-se, veja agora outras dicas de como se preparar para viajar a destinos com altitude elevada e evitar o soroche.

Dicas para prevenir o mal de altitude

Beba bastante água – Por minha boa experiência, minha regra de ouro é: beba muita água (muita mesmo!). Eu chegava a beber mais de 4 L de água por dia.

Visite um médico – Se você possui problemas de alergias, doenças respiratórias e/ou cardíacas, ou possui algum tipo de problema pessoal que possa ser agravado pela altitude ou com os medicamentos que a tratam, visite um médico antes de viajar. Estando ciente se você faz parte de algum grupo de risco ou não, poderá viajar em segurança, e medicar-se, caso sofra o mal de altitude.

Alimente-se bem e com comidas de fácil digestão – Tanto na véspera, quanto no dia da viagem e durante, coma comidas leves. Eu sou vegetariano e talvez por isso tenha sofrido menos que meus amigos que comem carnes vermelhas, e dificultam a digestão. Opte por comidas leves para diminuir suas chances de problemas. Comer geléias, frutas, cereais, legumes, saladas e verduras vão ajudar durante sua viagem, principalmente alimentos com muita água. Açúcares e carboidratos também ajudam e frituras e pratos salgados e/ou apimentados prejudicam.

Evite álcool e cigarros (ou ao menos diminua) – Para os que gostam de aproveitar a vida noturna de lugares como Cusco, eu sei que esse conselho pode parecer ruim. Mas se você não puder não consumir álcool e cigarros, ao menos diminua a quantidade, principalmente nos primeiros dias. Em altitudes elevadas, o cigarro dificultará ainda mais sua respiração, e os efeitos do álcool serão maximizados, fazendo seu corpo desidratar mais rápido, e tornando-se mais frágil ao mal de altitude. Ah, e você ficará chapado (a) mais rápido, pois os efeitos chegam a dobrar em grandes altitudes.

Antecipe suas necessidades – Em viagens pela Bolívia e Peru é muito comum moradores locais dizerem que nós devemos ‘beber antes de tener sed, comer antes de tener hambre, abrigarse antes de tener frío y descansar antes del agotamiento’. Ou seja, você deve antecipar-se as situações onde o corpo evidencia nossas necessidades. Eles explicam que a altitude é traiçoeira e pode nos enganar tardando nossas reais necessidades, além da recuperação ser mais lenta. Ter sede é um sinal de já estar bastante desidratado. Portanto, lembre-se deste mantra: beba antes de ter sede, coma antes de ter fome, proteja antes de senti frio, e pare para descansar antes do seu limite de cansaço.

Durma bem – Essas primeiras dicas são inclusive hábitos que todos deveriam ter na vida mesmo em lugares de baixa altitude, mas em lugares de altitudes elevadas fazem ainda mais falta. Portanto, beba muita água, coma bem e durma bem, ao menos 7h por dia. Veja 10 coisas para fazer a noite para uma vida melhor.

Mova-se devagar – Evite fazer grandes esforços físicos e na hora de realizar caminhadas e trekking, vá com calma. O esforço físico agrava o quadro, mas é possível sim fazer passeios com longas caminhadas, trekkingmountain bike, rafting, etc. Basta adotar um ritmo um pouco menos puxado do que seu normal e evitar o esforço físico quando possível.

Deixe um ou dois dias livres – Uma dica importante, principalmente se você não conseguir ir subindo devagar para aclimatar, é reservar seu primeiro dia (ou talvez os dois primeiros) para acostumar-se com a altitude, fazendo coisas muito leves. Ou seja, nada de correr, pedalar, ou escalar.

Mastigue folhas de coca (se você conseguir) – Claro que o meio mais comum para suportar o mal de altitude está em nossas dicas: mascar folhas de coca. Uma tradição mantida pelos povos andinos há centenas de anos e que gera resultados. Porém, digo difícil, por que achei o cheiro e sabor bem desagradáveis. Mesmo sabendo que paladar é algo muito pessoal, o que percebia é que a galera mastiga mais por necessidade e vão se acostumando, do que por ser agradável. De todo modo, faz parte do intercâmbio cultural mastigar coca ao visitar países como Bolívia e Peru, e acho que você deve fazer. Se não te incomodar é ainda melhor, pois combate bem o soroche. A questão é que necessita mascar muitas folhas para fazer efeito, você verá que as pessoas ficam com a boca cheia durante todo o tempo (fique tranquilo (a), você não ficará chapado (a) apenas mascando coca, e as folhas são baratas e vendidas legalmente).

Tente mate, bala ou chá de coca – Se você, assim como eu, achar a folha desagradável, pode optar pelas variações da folha de coca, ou seja, tomar mate (chimarrão) de coca, chupar balas de coca e/ou tomar chás de coca. Há ainda o chá de muña, também típico dos Andes. Nenhum desses alterará sua sobriedade. Ps: você deve ter reparado que a coca não está no início das nossas dicas, e é por que você pode ficar bem cuidando melhor do corpo e talvez não precisar da coca.

Equipamento – Leve equipamento para suportar o clima da região visitada. Sentir frio, por exemplo, irá agravar qualquer possível mal estar. Cubra bem seu peito, pescoço, e extremidades do corpo, como pés, mãos e orelhas.

Bombinhas de oxigênio – Eu, particularmente, acho exagero para pessoas que não possuem doenças como asma, que exigem essa medida. Mas já vi pessoas que viajam com bombinhas de oxigênio principalmente para fazer trekking e caminhadas. Se achar necessário, leve a sua.

Medicamentos para o mal de altitude – Leve analgésicos para dores de cabeça e remédios para náuseas. Outra dica, principalmente para quem visita Puno e Cusco, são os comprimidos de “Sorojchi Pill”, talvez o medicamento mais famoso para combater o soroche. Esses comprimidos podem ser obtidos facilmente no Peru e são comprados sem receita médica. Consulte o farmacêutico, pois há pessoas que recomendam começar a tomar 6h antes de subir e depois seguir administrando a medicação, a cada 12h, enquanto outras pessoas dizem que tomar antes não adianta. Evite medicamentos como o Acetazolamida (Diamox), pois pode contribuir com a desidratação. Veja como montar um kit médico completo para viagens.

Não use remédios para dormir – Esqueça os medicamentos como o Diazepam e similares, pois eles diminuem a frequência respiratória e, na altitude, podem facilitar um quadro de parada respiratória. Se você precisar muito de um remédio para dormir, use o Diamox (125 ou 250 mg), à noite, pois este aumenta a frequência respiratória e melhora a oxigenação.

Aclimatar-se – Viajar devagar e ir ganhando altitude aos poucos é uma das coisas que mais ajudam contra o soroche. Falaremos no próximo tópico como fazer aclimatação.

seta-instinto-viajante Como fazer aclimatação para prevenir o mal de altitude

Fazer aclimatação é a principal dica para prevenir o mal de altitude. E trate-se basicamente ir ganhando altitude de maneira gradual. Ao invés de ir diretamente de uma cidade ao nível do mar para outra a 3.000 M de altura, viaje devagar, parando em cidades pelo caminho.

Especialistas indicam que o melhor é demorar dois dias para ascender até os 2.400 M e permanecer ao menos um dia na cidade, subindo e parando para um pernoite a cada 300 a 500 M a partir daí. O ideal seria tentar:

Dia 1: Subir até 2.000 M
Dia 2: Subir até 2.500 M
Dia 3: Pernoitar nos 2.500 M
Dia 4: Subir até no máximo 3.000 M
Dia 5: Pernoitar nos 3.000 M
Dia 6: Subir até no máximo 3.500 M
Dia 7: Pernoitar nos 3.500 M
Dia 8: Subir até no máximo 4.000 M

E seguir essa lógica até os 5.000 M de altitude. A partir daí, o ideal é seguir a mesma lógica, mas com aumentos de no máximo 300 M por dia. E após 6.000 M, subir no máximo 150 M por dia.

Para escaladores, os manuais recomendam, até os 3.000 M, subir no máximo entre 300 e 500 M por dia, com um dia de descanso a cada três ou quatro dias. Em altitudes entre 2.000 e 3.000 M devem aclimatar por uma semana, antes de escalar alturas até 4.500 M.

seta-instinto-viajante O que fazer se sentir o mal de altitude

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Máscaras de oxigênio ajudam na recuperação em casos graves de mal de altitude. Foto: shutterstock.com

Em cidades de altitude muito elevada, muitos hotéis (normalmente mais abastados) contam com tubulações que liberam mais oxigênio para os quartos, além de máscaras e bombas de oxigênio. O mesmo para algumas agências de turismo que realizam trekking e travessias.

Além disso, existem exercícios que podem ajudar a se recuperar do soroche. Os principais:

  • Deitar, levantando a parte da cabeceira por pelo menos 30 graus, ajuda com as dores de cabeça e náuseas;
  • Tomar muita água sem gás, e chás de coca e muña;
  • Tomar comprimidos de Sorojchi Pill (nunca antes de consultar um médico)
  • Dores de cabeça: Ibuprofen, Dalsy, Alivium, Paracetamol (Tylenol), AAS, ou similares;
  • Náuseas ou vômitos: Plasil ou Motilium. Evite o Dramin, pois diminui a frequência respiratória;
  • Ir a um local onde possa respirar em máquinas de oxigênio.

Alguns escaladores e guarda parques de locais de grande altitude, como o monte Aconcágua, na Argentina, recomendam a seguinte tabela:

  • Náuseas ou perda de apetite 1 ponto
  • Dor de cabeça 1 ponto
  • Vertigem 1 ponto
  • Insônia 1 ponto
  • Vômitos 2 pontos
  • Cefaléia resistente a aspirina 2 pontos
  • Falta de ar em repouso 3 pontos
  • Cansaço anormal 3 pontos
  • Oligúria (falta de urina) 3 pontos

1-3 pontos – Mal de Altitude Leve – Tomar Aspirina ou Paracetamol
4-6 pontos – Mal de Altitude Médio – Tomar Aspirina, repousar e desistir da subida
+ de 6 pontos – Mal de Altitude Grave – Descer imediatamente!

Não brinque com o Soroche! Se, mesmo com essas dicas, você sentir os sintomas do mal de altitude por vários dias e perceber que está piorando, comece a descer rapidamente (preferencialmente ater altitudes menores de 2.500 M), pois a evolução pode causar danos graves. Ao baixar as altitudes e tratar adequadamente, os sintomas desaparecem em um ou dois dias. Persistindo os sintomas busque um médico com urgência.

seta-instinto-viajante Algo mais…

No Rio de Janeiro e em São Paulo há centros de informações especializados em medicina do viajante, onde você pode consultar e tirar eventuais dúvidas sobre sua viagem. Os contatos são:

  • Rio de Janeiro: Cives – UFRJ
  • São Paulo: Instituto de Infectologia Emílio Ribas (11) 3896-1400

Viaje sempre com um seguro saúde internacional (veja dicas para contratar um seguro bom e barato).

Obrigado pela leitura e boa viagem!

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Arte foto cabeçalho: Nathaly Fogaça


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