Volta completa em Ilha Grande/RJ (guia completo!)

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Volta completa em Ilha Grande – tudo que você precisa saber

Saiba o que levar e como se preparar para dar a volta completa em Ilha Grande/RJ

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A Ilha Grande é a maior e mais linda ilha de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, compreendendo 193 KM² de área total, composto por muitas das melhores praias do Rio de Janeiro com águas cristalinas, além de cachoeiras, rios, mangues, restingas, e rica flora e fauna (principalmente aquática e aviária) de Mata Atlântica unidos em uma exuberante natureza que ainda é selvagem e preservada em muitos locais da ilha.

A raiz caiçara também se mantém neste lugar único, sendo perceptível em diversos pequenos vilarejos. É um verdadeiro pedaço de paraíso no Brasil e desperta o carinho de qualquer um que a conheça. Não é à toa que a considero a Fernando de Noronha dos cariocas.

Ilha Grande é um excelente destino em dias de sol, férias e feriados prolongados, oferecendo tanto opções pros turistas que buscam mais comodidade como pousadas, hotéis, flats, bons restaurantes e passeios de barco, quanto para o mochileiro, viajante mais alternativo e/ou low cost, com hostels, bares, trilhas e campings em praias mais isoladas e sossegadas.

Felizmente – sabendo pesquisar e dependendo da época do ano -, Ilha Grande ainda é bastante democrática, permitindo a visita de diversos tipos de públicos e condições financeiras (diferente de Fernando de Noronha). Eu mesmo a visitei durante minha viagem sem dinheiro pela América do Sul.

Unidades de Conservação em Ilha Grande

Ao todo, são quatro unidades de conservação: o Parque Estadual da Ilha Grande e o Marinho do Aventureiro, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul (com acesso permitido apenas para pesquisadores e pessoas autorizadas pelo INEA), e Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios. Os quatro visam garantir a proteção da natureza, habitat e reservas de mata atlântica ainda existentes em Ilha Grande. Colabore com a preservação e seja um turista consciente, mantendo o que é seu e de todos, ajudando a retirar lixos que encontrar e orientando na base da conversa educada pessoas que estejam agredindo o meio ambiente!

Vida noturna de Ilha Grande

Acontece quase que exclusivamente na Vila do Abraão, local sempre mais agitado e cheio da ilha. A maior parte dos outros povoados são bem mais calmos e as atividades noturnas ficam mais por conta de um ou outro barzinho ou quiosque, eventuais festas em campings e hospedagens, e luaus entre as pessoas – normalmente em feriados prolongados e na alta temporada (de novembro à fevereiro).

Guia de volta completa em Ilha Grande

Além do turismo convencional, Ilha Grande possui diversas trilhas para praias, cachoeiras e interesses culturais e históricos. Essa característica desperta a vontade que todo mochileiro e aventureiro têm de fazer a volta completa em Ilha Grande a pé, pelas trilhas em meio à natureza e seus animais.

Foi pensando nisso que nós, do Instinto Viajante, resolvemos dissecar cada pedaço de Ilha Grande e dar todas as dicas que você precisa saber de como se preparar para fazer a volta completa em Ilha Grande e o que verá pelo caminho.

Para facilitar a referência à seções específicas e auxiliar na sua preparação para fazer a caminhada, o nosso guia foi dividido em tópicos, cada um com seu próprio link permanente que você pode escolher no índice abaixo.

Os trechos sinalizados com “minha trip” são referentes às histórias de quando fiz minha volta completa em Ilha Grande.

→ Importante: os dados a seguir são de janeiro de 2005.

Ajude o Instinto Viajante a se manter no ar =) Clique aqui e doe quanto quiser. Obrigado!

  1. Equipamentos para a volta completa em Ilha Grande
  2. Como chegar em Ilha Grande (por Angra dos Reis, Conceição de Jacareí e Mangaratiba)
  3. Por qual lado fazer a volta completa em Ilha Grande e em quantos dias
  4. A Vila do Abraão
  5. Alongamento
  6. Trilha T1 (Circuito de Abraão)
  7. Trilha T2 (Abraão – Saco do Céu)
  8. Trilha T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana)
  9. Trilha T4 (Freguesia de Santana – Bananal)
  10. Trilha T5 (Bananal – Sítio Forte)
  11. Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba)
  12. Trilha T7 (Araçatiba – Gruta do Acaiá)
  13. Trilha T8 (Araçatiba – Provetá)
  14. Trilha T9 (Provetá – Aventureiro)
  15. Trilha Proibida (Aventureiro – Parnaioca)
  16. Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)
  17. Trilha T15 (Dois Rios – Caxadaço)
  18. Trilha Não-oficial (Caxadaço-Santo Antônio)

seta-instinto-viajante 1. Equipamentos para a volta completa em Ilha Grande

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Foto: free-stock-illustration.com

Você pode ver aqui um Check-list de viagem completo que irá lhe ajudar a arrumar o mochilão para fazer a volta completa em Ilha Grande. Mas equipamentos são algo bem pessoal e cada um sabe das suas necessidades, portanto aconselho apenas não deixar de levar os que cito abaixo.

►Sobrevivi apenas com:

• Saco de dormir (eu fiz a Volta à Ilha Grande apenas com saco de dormir, o pró foi carregar menos peso, o contra é que a barraca de camping lhe da um abrigo mais seguro, mas pra mim não houve problema por isso)

• Mochilão e mochila de ataque (comecei minha volta com um mochilão completo de cerca de 10 KG. Como queria versatilidade e rapidez na caminhada, optei por seguir apenas com uma mochila menor de ataque com itens básicos, deixando meus itens em Palmas. Você pode levar poucos equipamentos se quiser mais versatilidade como eu, ou pode levar todo seu equipamento se estiver com bom preparo ou tiver mais tempo para fazer sua volta completa em mais dias). Saiba como escolher um bom mochilão

• Garrafinha d`água 510 mL (pelo caminho há várias fontes e locais para encher com água doce, economizando dinheiro e se mantendo sempre hidratado)

• Canivete e isqueiro

• Protetor solar e manteiga de cacau

• Kit de primeiros socorros – muito importante! (aprenda aqui como fazer o seu de forma simples)

• Máquina fotográfica

• Carregador de pilhas

• Celular e carregador

• Sacos extras para lixo

• Itens de higiene pessoal

• 2 tolhas de rosto ou cangas (elas secam tanto quanto as de corpo e ocupam menos espaço e peso. Vi gente que levava canga, que também é bem leve e versátil – usando, lavando e pondo pra secar diariamente, mas como nem sempre há sol é bom levar duas. Em dias de sol forte, toalhas ou cangas podem ser amarradas na cabeça para evitar riscos de insolação)

• Disco de frisbie (sério, isso é divertido!), um livro e baralho

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Mochila de ataque que levei para minha volta completa em Ilha Grande/RJ

►Mas indico levar também:

• Barraca de camping

• Lanterna (uma lanterna é fundamental e evita perrengues como esse que passei em Dois Rios)

• Repelente

• Pastilha de cloro purificadora de água (em torno de R$12, 30 comprimidos, cada um purifica 1L de água e a torna potável em cerca de 30 minutos – há lugares com águas não potáveis)

• Dinheiro (fiz a Volta completa à Ilha Grande sem dinheiro nenhum, pois foi parte do meu projeto de viajar sem grana. Mas se sua viagem envolve dinheiro, leve-o, pois em toda a Ilha não possui locais para saque e diversos pontos não aceitam cartões, como mostrarei adiante)

O que comer e vestuário você pode ver detalhes no Check-list de viagem completo.

seta-instinto-viajante 2. Como chegar em Ilha Grande (por Angra dos Reis, Conceição de Jacareí e Mangaratiba)

Ilha Grande está a cerca de 130 quilômetros do Rio de Janeiro (Capital) e aproximadamente 420 quilômetros de São Paulo. Diferente de Ilhabela, em São Paulonão é permitida a entrada de veículos de nenhuma categoria e o acesso é feito somente por barcos, barca ou escunas

Você pode chegar em Ilha Grande de três principais formas: via Angra dos Reis, via Conceição de Jacareí e via Mangaratiba.

Importante: Quando for escolher por onde chegar, defina antes qual é o seu planejamento e onde irá se hospedar em Ilha Grande, pois os trajetos de barco variam em distância, tempo e valor, dependendo de qual for o destino na ilha.

Localização GPS Ilha Grande: 23° 8’25.50″ S 44°10’1.63″ W

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Fonte: ilhagrande.com.br

► Como chegar em Ilha Grande por Angra dos Reis

É o ponto de embarque mais distante do Rio de Janeiro e mais próximo de São Paulo. O percurso até Abraão, saindo de Angra dos Reis, dura, em média, 1h 30 em barcos mais baratos, geralmente escunas, ou 25 minutos em barcos mais rápido de turismo, em um trajeto de águas calmas.

Automóvel

Saindo do Rio de Janeiro: acesso pela Avenida Brasil até o final e pegar a Rio-Santos (BR-101) na altura de Santa Cruz, após o posto da Polícia Militar.

Saindo de São Paulo: há três opções.

  • Por Caraguatatuba – acesso pela Via Dutra (BR-116) até São José dos Campos (saída para Caraguatatuba), Rodovia dos Tamoios (SP-99) e BR-101, uma ótima opção turística para quem tem tempo, passando pelas lindas praias de Ubatuba-SP e Paraty-RJ;
  • Por Ubatuba: descendo da Via Dutra (BR-116) na altura de Taubaté e pegando parte do litoral, mas com estrada mais tranquila;
  • Por Barra Mansa: acesso pela Via Dutra (BR-116) até Barra Mansa e RJ-155. É o trecho mais rápido, mas mais perigoso por conta da estrada que não possui acostamento e sem as belas paisagens litorâneas. Por outro lado, chega-se pela serra, tendo uma linda vista da cidade de Angra.

Saindo de Minas Gerais: saindo de Belo Horizonte, acesso pela BR-040 (até Três Rios), BR-393 (até Barra Mansa) e RJ-155.

Ônibus

Saindo do Rio de Janeiro: o trajeto é feito pela viação Costa Verde, saindo da rodoviária Novo Rio. Valor do ônibus: R$ 54. Tempo da viagem: 2h30.

Saindo de São Paulo: o trajeto é feito pela viação Reunidas Paulista, saindo da rodoviária do Tietê. Valor do ônibus: R$ 72-88 (convencional) | R$ 72, R$ 99 ou R$ 108 (executivo). Tempo da viagem: 7h30.

Saindo de Minas Gerais: o trajeto é feito pela viação Útil, saindo de Belo Horizonte. Valor do ônibus: R$ 168. Tempo da viagem: 11h30.

Carona

Para tentar carona até Ilha Grande, você pode utilizar os grupos Ilha Grande Pico das Galaxias e Caronas pelo Rio, no Facebook.

Se a ideia for tentar carona na estrada, leia as dicas desse manual caroneiro.

Uma vez em Angra, deve-se seguir de barco das seguintes formas:

Vila do Abraão

Pelas barcas

Saídas do Cais da Lapa, no centro de Angra dos Reis. A travessia dura cerca de 1h20 e custa R$ 14. A capacidade é para até 1.000 passageiros, mas não pense que na alta temporada isso seja muito.

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Horários barca Angra dos Reis – Ilha Grande

O transporte de bicicletas é gratuito até o limite de 10 unidades por viagem.

Por barcos turísticos

Normalmente por escunas ou flexboats que partem da Estação Santa Luzia com vários horários por dia. A travessia é feita em 1h40 pelas escunas e 30 minutos pelos flex boats e lanchas. Os valores são, em média, R$ 40 para escunas e R$ 70 para embarcações mais rápidas.

Saco do Céu, Enseada das Estrelas, Bananal e Sítio Forte

Barcos para Saco do Céu, Enseada das Estrelas, Bananal e Sítio Forte são mais próximos saindo de Angra dos Reis.

Há um barco que leva os moradores às segundas, quartas e sextas, partindo às 14h do Cais Turístico, e também do Cais dos Pescadores, em dias úteis, até a Praia de Fora e Saco do Céu, pelo valor de R$ 15; Se quiser ir até esses lugares e não conseguir tomar este barco, é possível ir até Abraão e de lá tomar um táxi boat. Para quem quer seguir direto há opções de barcos turísticos que fazem o percurso em 20 minutos por cerca de R$ 40.

Araçatiba, Praia Vermelha e Praia da Longa

Barcos de segunda a sexta, às 12h e 14h saindo de Angra dos Reis e às 7h retornando para Angra. O embarque é no Cais de Pescadores pelo valor de R$ 25 nos barcos de moradores.

Praia de Provetá

O embarque é somente de Angra dos Reis, do Cais dos Pescadores ou do Cais Turístico. O percurso possui 25 km e leva cerca de 1h40, custando R$ 60. Barcos turísticos levam em torno de 30 minutos com preços médios de R$ 90 por pessoa com o mínimo de três pessoas.

Praia do Aventureiro e Praia da Parnaioca

Para Aventureiro é possível seguir por trilha pesada (desde Provetá) com cerca de uma hora e meia, com o barco-escola de Provetá ou com barcos turísticos que levam direto. O trecho direto para Aventureiro é por um trecho longo (aproximadamente 2h30) em mar aberto, águas agitadas e depende das condições meteorológicas. Para Parnaioca os barcos levam em média 3h. Os valores giram em torno de R$ 50. Barcos turísticos fazem o trajeto em cerca 45 minutos indo direto até qualquer uma das praias por cerca de R$ 80 até Aventureiro e R$ 100 até Parnaioca, por pessoa com o mínimo de quatro pessoas.

Pra quem é vantagem ir por Angra dos Reis?

Chegar em Ilha Grande por Angra dos Reis é a melhor opção para quem irá se hospedar na Praia do Bananal, Sítio Forte, Praia Grande de Araçatiba, Praia Vermelha, Provetá e Aventureiro. Há quatro pontos de embarques no centro de Angra dos Reis e o viajante pode optar por seguir com um barqueiro ou pela barca da CCR Barcas (Cais da Lapa, s/n – Centro – Angra dos Reis – RJ).

Sempre verifique antes se sua hospedagem inclui pacotes com traslado marítimo.

► Como chegar em Ilha Grande por Conceição de Jacareí

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Porto de Conceição de Jacareí, cidade continental mais próxima de Ilha Grande/RJ

Conceição de Jacareí, vizinha à Angra dos Reis, é a cidade continental mais próxima de Ilha Grande, pela Vila de Abraão. Os barcos que realizam a travessia também são escunas (cerca de 50 minutos de travessia) ou lanchas e flexboats (cerca de 15 minutos), dependendo da embarcação; Em Abraão, terá que alugar um taxi-boat, ou lancha para a Enseada de Palmas ou alugar um barco.

Conceição de Jacareí possui mais barcos que realizam a travessia para Abraão, sendo mais fácil negociar e evitar grandes esperas. Da para negociar valores entre R$ 25 para as escunas e R$ 50 para flexboats e lanchas.

Pra quem é vantagem ir por Conceição de Jacareí?

Chegar em Ilha Grande por Conceição de Jacareí é a melhor opção para quem deseja ir até a Vila do Abraão e acesso a Praia de Palmas, Dois Rios, Lopes Mendes e adjacências.

► Como chegar em Ilha Grande por Mangaratiba

Mangaratiba também fica próxima de Angra dos Reis e Conceição de Jacareí, sendo o ponto mais distante para quem vai de São Paulo e o mais próximo do Rio de Janeiro.

Tem apenas um horário para a Vila do Abraão, às 8h, pelas barcas da CCR. A barca Mangaratiba – Abraão tem capacidade para 1.000 passageiros (que não é suficiente na alta temporada, portanto antecipe-se o quanto puder) e a viagem dura cerca de 1h30; As saídas são do Cais de Mangaratiba, no centro, na Rua XI de novembro s/n° – Mangaratiba – RJ. A tarifa é R$ 14 (o transporte de bicicletas é gratuito).

Pra quem é vantagem?

Chegar em Ilha Grande por Conceição de Jacareí é a melhor opção para quem deseja ir até a Via do Abraão e acesso a Praia de Palmas, Dois Rios, Lopes Mendes e adjacências.

Paraty

Há ainda a possibilidade de chegar em Ilha Grande por Paraty, no Rio de Janeiro. O embarque acontece na Ponta do Cais, no Centro Histórico de Paraty. Essa opção só existe três vezes por semana e precisa ser agendada, informe-se. O tempo de travessia é de 1h30.

Os aeroportos mais próximos de Ilha Grande são no Rio de Janeiro.

Mapa de Ilha Grande

Consulte aqui os valores e horários da barca da CCR para Ilha Grande

Consulte aqui os pedágios em seu trajeto

Contatos úteis: Departamento de Estradas de Rodagem (DER) (11) 3311-1400 / CCR Nova Dutra e Barcas (11) 5666-6052 / 0800 017 3536

seta-instinto-viajante 3. Por qual lado fazer a volta completa em Ilha Grande e em quantos dias

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Fonte: caicarailhagrande.com.br

Mapas

É possível pegar o mapa com as atrações, trilhas e praias de Ilha Grande na estacão das barcas ou no ponto da Guarda Florestal, no centro da Vila de Abraão, para se manter melhor orientado.

Outra opção é adquirir o Mapa Detalhado do Bernardo José, o mais completo e detalhado que já vi sobre Ilha Grande e suas trilhas, que custa R$ 15 e vale muito a pena. E/ou o livro Caminhos e Trilhas da Ilha Grande.

Os mapas consideram tempos médios de trilhas nivelando por baixo (normalmente uma pessoa andando em ritmo normal faz menos tempo do que o considerado nos mapas), mas leve em conta o tempo deles em seu planejamento para não sofrer riscos de pernoitar nas trilhas.

Por onde começar?

Você pode optar por seguir no sentido horário, pelo Farol dos Castelhanos, ou pelo sentido anti-horário, pelo Saco do Céu. O meu conselho é seguir pelo Saco do Céu e finalizar pelo Farol dos Castelhanos, após passar por Lopes Mendes, e esse Guia de volta completa em Ilha Grande seguirá esta lógica.

Quantos dias?

Muitos comentam que é possível fazer a volta completa em Ilha Grande em apenas quatro dias. Sim, é possível, mas você não conseguirá aproveitar quase nada das atrações do caminho.

Quando fiz, fiquei cerca de 15 dias na ilha, dos quais seis dias dediquei para caminhar pelas trilhas, andando uma média de 15 a 20 quilômetros por dia, e 9 dias para lazer e caminhadas curtas.

Planeje sua ida de acordo com suas possibilidades e preparo e lembre-se do peso do mochilão. Aconselho não fazer em tempos muito curtos para poder aproveitar bem o lindo passeio.

Mapa da volta completa em Ilha Grande por J. Augusto no Wikiloc

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Por do sol no momento que ia de barco de Conceição de Jacaraeí para Abraão, Ilha Grande/RJ

seta-instinto-viajante 4. A Vila do Abraão

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Enseada da Vila do Abraão, Ilha Grande, Brasil. Foto: ilhagrande.com.br

O maior vilarejo de Ilha Grande é a Vila do Abraão, local mais estruturado da ilha, paraíso dos turistas convencionais e nem tanto para o viajante mochileiro ou amante do turismo alternativo.

Isso, pois, Abraão possui cerca de três mil habitantes (além do fluxo de turistas que na alta temporada quase dobra esse número) e infraestrutura completa para o turismo.

A Vila do Abraão recebeu este nome, pois “Abraão” no antigo português significava “enseada”.

Também é em Abraão que desembarca o maior número de visitantes de Ilha Grande. A maioria das pessoas tomam barcos que levam até lá e depois se distribuem pelos vilarejos ou chega pelo serviço de transporte das barcas, até por isso, muito acabam se hospedando por ali mesmo, sem explorar tanto a ilha.

Minha trip: quando fui, para chegar em Abraão, peguei uma carona com o Rodrigo, do barco Maria Flor, depois de contar da minha viagem sem dinheiro. Muito gente fina o rapaz, em troca o ajudei a fazer seu frete de frutas e artigos de sacolão para Abraão.

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Barco Maria Flor, do Rodrigo, que me deu carona até Abraão, Ilha Grande/RJ

A multidão de Abraão, na alta temporada, faz com que o local seja culturalmente bem diferente do restante da ilha, agitado, com grande vida noturna em relação aos outros povoados, maior e carregando um pouco das características negativas que se têm nas grandes cidades.

Estrutura/Interesses: praias, pontos de informações turísticas, hospedagens (campings, hostels, flats, casas de temporada e pousadas), lojas de artesanato e souvenires, jornaleiro, farmácia, restaurantes, bares, Igreja de São Sebastião, posto médico, correios, telefones públicos, postos policiais, ruínas, mirantes, bicicleta e remo.

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Lua no meu primeiro dia em Ilha Grande/RJ

► Estrutura de Abraão

Em Abraão existe energia elétrica; a infraestrutura é voltada para o turismo e com certa fartura, ou seja, com diversos bares, restaurantes, sorveterias, pousadas, campings, hostels, além de mercadinhos, agências de passeios turísticos e snorkeling, e lan houses; muitos estabelecimentos aceitam cartões (apesar de não existir caixa eletrônico no local); existe sinal das principais operadoras de celular para ligações e internet 3g, bem como orelhões públicos. Também é possível tirar dúvidas em pontos de apoio ao turista, como próximo da estação das Barcas e na Casa da Guarda, ao lado direito.

Para altas temporadas, faça reservas antecipadas, pois a procura é realmente grande. De Abraão é possível tomar barcos taxi boats que levam para qualquer praia da ilha, variando o preço conforme a distância e quantidade de passageiros. Pra quem busca mais conforto é sem dúvidas o melhor lugar da Ilha, ao passo que é o menos indicado para quem gosta mais de paz, tranquilidade e natureza.

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Igreja de São Sebastião, em Abraão. com mais de 150 anos de existência, construída antes da visita de D. Pedro II a Ilha Grande/RJ

► Hospedagem em Abraão

Abraão é o vilarejo com a maior variedade de hospedagens de Ilha Grande, entre campings, hostels, flats, pousadas e casas de temporada.

Abaixo estão listas de acordo com cada tipo de hospedagem, clique e veja a de sua preferência.

► Como economizar em Abraão (Ilha Grande low cost)

Leve produtos do continente – Comprar nos mercados do continente é sempre mais barato do que deixar para comprar em Ilha Grande.

Chegue com antecedência – Para altas temporadas, a melhor opção é chegar na Ilha com mais dias de antecedência, pois negociando de lá há mais chance de conseguir melhores preços do que em pacotes vendidos a distância. O risco é não haver mais vagas, visto que Ilha Grande é sempre muito procurada.

Afaste-se da orla – Os estabelecimentos mais internos, longe da orla, independente do tipo de produto ou serviço, costumam oferecer melhores preços.

Prefira as trilhas ou escunas – Os taxi boats são opções de transporte mais rápidas e confortáveis, mas também são mais caras. Fazer trilhas ou ir de escuna para os locais sai mais em conta.

Mercado – Para consumir, sejam comidas ou bebidas, o mais indicado é comprar no mercadinho que fica atrás da Igreja de São Sebastião em Abraão, no centro. Lá os preços são bem mais baratos do que nos estabelecimentos e você pode montar lanches ou levar comidas para preparar onde estiver hospedado.

Marmitex – Nos restaurantes sempre pergunte se existe a opção de marmitex, marmita feita pelo estabelecimento para viagem e que normalmente é bem mais barata que um prato comum.

Água – Ilha Grande possui muitas fontes de água doce e potável, com uma garrafinha em mãos você poderá quase sempre beber água sem precisar comprá-las.

► O que fazer em Abraão

Estando hospedado em Abraão e com a intenção de ficar apenas por lá, as atividades mais indicadas são: subir a trilha para a Cachoeira da Feiticeira ou para o Pico do Papagaio.

E visitar – além das praias da própria Abraão – Palmas, Pouso, Lopes Mendes, Santo Antônio, Dois Rios e Caxadaço, que possuem acessos relativamente próximos por trilhas ou passeios de barco. Outra opção mais simples e fácil é caminhar pelo Circuito de Abraão, área próxima do Aqueduto e indicada pela Trilha T1, além do poção próximo ao circuito.

Vida noturna

A vida noturna em Abraão é a mais agitada de Ilha Grande, portanto é fácil encontrar um canto da praia onde possua música ao vivo.

Em períodos festivos, um palco maior no centro do povoado é o ponto de encontro principal. As datas costumam ser Reveillón, Carnaval (fevereiro ou março), Ilha do Zouk (maio), Festival da Música (junho) e Festa Caipira (julho).

Pra galera que viaja com instrumentos e tocam na estrada para ganhar uma grana, Abraão é o local mais indicado. A Vila também é a que possui maior número de estrangeiros.

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Com os amigos que encontrei por um acaso em Ilha Grande/RJ

► Praias de Abraão

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Praia da Júlia, Ilha Grande, Brasil. Foto: u.hwstatic.com

• Praias da Júlia, Bica e Comprida

As Praias da Júlia, Bica e Comprida ficam a esquerda do centro do vilarejo, como quem segue para a Praia de Palmas. Elas se apresentam seguidas e quanto mais afastadas do centro da Vila de Abraão, mais limpas e bonitas são, e menos tumultuadas ficam. A Praia da Júlia é calma e com águas cristalinas em uma curta faixa de areia.

Estrutura/Interesses: restaurantes, praia, Standup Paddle (SUP).

• Praias da Crena e Guaxuma

Seguindo em frente pelas praias citadas anteriormente, estão Crena e Guaxuma, praias mais calmas e relaxantes ainda. Suas águas seguem o padrão da Praia da Júlia, águas calmas e transparentes. É possível ir pela água ou por uma pequena trilha.

Ao caminhar pelas orlas atente-se ao movimento das marés que costumam subir e nem sempre é possível voltar tranquilo pela beira da água.

Estrutura/Interesses: hospedagem (Praia da Crena Inn, Pousada Praia da Crena, Portal do Sol), snorkeling, remo, Standup Paddle (SUP).

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Praia do Guaxuma, Ilha Grande, Brasil. Foto: ilhagrande.com.br

• Praia de Abraãozinho

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Abraãozinho, Ilha Grande, Brasil. Foto: wikipedia.org

Passando por um monte seguinte a Praia de Crena, está Abraãozinho, a última praia da pequena trilha acessível para todas as idades. Possui uma pequena atividade com bares caiçaras e um mar calmo e tranquilo, sendo uma boa área para ficar sossegado e mergulhar. Toda a trilha desde o centro de Abraão soma apenas 1 KM de caminhada leve.

Estrutura/Interesses: hospedagem, snorkeling, remo, Standup Paddle (SUP).

• Praia do Morcego

A Praia do Morcego é conhecida por ter abrigado a “Casa do Pirata“, primeira casa de alvenaria de Ilha Grande, construída pelo pirata Juan de Lourenzo. Seu acesso é feito apenas pelo mar.

Estrutura/Interesses: ruínas, remo, Standup Paddle (SUP).

Minha trip: No sábado já estava de pé às 6h e, ainda com as frutas que ganhei no barco, tomei café bem devagar. Antes das 7h estava andando pelas praias próximas de Abraão: da Júlia, Bica, Comprida, Crena, Guaxuma, Abraãozinho e Morcego. Na foto eu descascando as frutas e todo bobo de poder utilizar o canivete (quem acaba de comprar um canivete sabe bem a sensação).

Como mencionei anteriormente, na minha volta completa em Ilha Grande sai de Abraão para o Farol dos Castelhanos, pela Trilha T12, mas vou escrever este guia indo pelo caminho da Trilha T1 e T2, que fica a direita da Vila de Abraão. Se você quiser começar pelo lado esquerdo, indo pelo Farol, sugiro adiantar este Guia da volta completa em Ilha Grande e navegar pelos tópicos, de acordo com seu caminho.

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Café da manhã em Abraão, Ilha Grande, com as frutas que ganhei no barco. Primeira vez usando o canivete, quem acaba de comprar um sabe bem a sensação.

Importante: antes de seguir para as trilhas de Ilha Grande, informo que os pernoites nas praias são proibidos e estão sujeitos a fiscalização por parte do INEA, com apreensão de equipamentos e pagamento de multa.

seta-instinto-viajante 5. Alongamento

É imprescindível alongar o corpo antes e depois de uma trilha. Estes minutos simples podem ser crucias para evitar lesões sérias. Não deixe de alongar. Veja aqui uma lista de alongamentos para trekking.

seta-instinto-viajante 6. Trilha T1 (Circuito de Abraão)

A Trilha T1 conhecida como Circuito de Abraão é um passeio leve e de fácil orientação por algumas áreas de interesse próximas da Vila do Abraão. É possivelmente o trecho mais fácil da volta completa em Ilha Grande.

Seu caminho se faz plano e com alguns pontos de subidas e descidas bem leves que totaliza uma trilha fácil de 1,7 KM, podendo ser feita mesmo por idosos. O lugar é utilizado por moradores para caminhadas pela manhã e pelo curso de botinho ministrado pelos bombeiros para crianças. A área cercada por Mata Atlântica abrigou uma fazenda de cana-de-açúcar, um lazareto (1886-1913) e um presídio federal (1932-1954), pertencendo ao Parque Estadual da Ilha Grande desde 1971.

Logo após passar pelo portal do Parque chega-se a um largo do circuito, onde é possível seguir pela direita ou esquerda, o caminho é curto e circular, portanto é possível fazer 360º, retornando ao ponto inicial. Seguindo pela direita logo é possível avistar a placa indicando o Mirante do Pescador.

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Mirante do Pescador, Ilha Grande/RJ

• Praia Preta

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Praia Preta, Ilha Grande/RJ

Seguindo adiante após passar pelo Mirante do Pescador, passamos por uma placa que indica a presença dos amolares – pedras com marcas fundas que os povos do Sambaqui usavam há três mil anos atrás para amolar objetos. Mais a frente, caminhando por um local que emana tranquilidade, sombreado por plantas e cercado por bambus que decoram e definem os limites do parque, chega-se a Praia Preta. O nome é referência aos minerais pesados que nela se encontram e deixam sua areia negra. Também possui muito quartzo. Ambos trazidos pelas rochas da Ilha devido a ação da natureza.

Apesar da cor da areia causar estranhamento, a praia é limpa e sua água também. Um córrego vindo das partes mais altas desembocam no mar e as pedras que a cercam deixam um clima ainda mais aconchegante e relaxante a esta praia que, apesar de tão próxima da Vila de Abraão, costuma ser pouco frequentada.

Há também o Mirante da Praia Preta, de onde se tem uma vista privilegiada da praia de mesmo nome.

Estrutura/Interesses: Não há nenhum tipo de atividade comercial.

• Ruínas do Lazareto e Aqueduto

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Meu mascote, Donald, no Aqueduto do Circuito de Abraão, Ilha Grande/RJ

Seguindo pelo Circuito de Abraão, rapidamente alcança-se as Ruínas do Lazareto. O Lazareto era originalmente uma casa de fazenda que, em 1884, foi comprada pelo Império e transformada em um hospital de quarentena para imigrantes europeus com suspeitas de doenças contagiosas, principalmente a cólera. Funcionou de 1886 até 1913, atendendo mais de quatro mil embarcações.

Em 1940, o presidente Getúlio Vargas o transformou em um presídio federal chamado Colônia Penal Cândido Mendes, que recebeu presos rebelados da Revolta Armada e da Revolução Constitucionalista até 1954, e em 1963 teve suas salas demolidas, com os presos sendo transferidos para o presídio mais famoso de Ilha Grande, em Dois Rios.

Próximo do Lazareto, está o imponente Aqueduto de Abraão, construído por D. Pedro II em 1889, para levar água de qualidade e com abundância até o Lazareto. Foi erguido com pedras e óleo de baleia e possui 11 metros de altura, 140 metros de comprimento e 26 arcos. Ali, bem próximo, da pra se divertir e refrescar no Escorrega ou Poção do Aqueduto (Cachoeira dos Escravos).

O Mirante do Aqueduto que também está nas proximidades fornece uma bela vista da Mata Atlântica que cobre a região, além do bico do Pico do Papagaio.

• Praia do Galego

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Praia do Galego, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses da Trilha T1: bancos para piquenique, praias, pedras amolares, mirantes, ruínas, Aqueduto, poção, Standup Paddle (SUP). Ao longo do Circuito de Abraão não há nenhum tipo de atividade comercial.

seta-instinto-viajante 7. Trilha T2 (Abraão – Saco do Céu)

Finalizando a Trilha T1 (Circuito de Abraão), inicia-se a Trilha T2 (Abraão – Saco do Céu) com extensão de 7,2 KM, distribuídos em um trecho de subidas e descidas. Considero a trilha de esforço moderado, mas que pode obviamente ser agravado pelo peso que você estiver carregando. O nível de orientação é médio, já que alguns trechos não estão sinalizados, mas tendo atenção o caminho é intuitivo. O mapa considera três horas de caminhada, mas como já mencionei, ele nivela por baixo. Concluí em uma hora e meia (estava carregando uma mochila bem leve).

O pior trecho é o caminho que leva do Aqueduto até a Cachoeira da Feiticeira, pois é de subida constante. Esse percurso cobre cerca de 3 KM.

• Cachoeira da Feiticeira

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Cachoeira da Feiticeira, Ilha Grande/RJ

A Cachoeira da Feiticeira possui uma queda d`água de 12 metros de altura bem no meio da mata. Entre as pedras forma-se uma piscina pequena, o que ás vezes pode desanimar o visitante, mas sua beleza é inegável. O que acontece lá, principalmente, a meu ver, é que o espaço é pequeno para o número de visitantes que normalmente há. Ou seja, se você visita em um dia lotado se decepciona, se visita em um dia fora do comum (baixa temporada ou dias de semana) se satisfaz como quando eu fui.

Minha trip: Na minha volta completa em Ilha Grande estive na Cachoeira da Feiticeira sozinho e aproveitei para tomar inclusive um banho nu, lavar um pouco o short e a sunga (sem sabão, claro) e reabastecer minha garrafinha, enquanto relaxava massageado pela queda d`água. Saindo de lá, tomei um caminho que leva diretamente a Praia da Feiticeira em um trecho mais fácil que o anterior e bem curto.

Estrutura/Interesses: Não há nenhum tipo de atividade comercial. Aproveite para reabastecer sua garrafa de água doce na cachoeira.

Acesso: Pode-se chegar tanto caminhando da Vila de Abraão pela Trilha T2, quanto caminhando da Praia da Feiticeira que possui acesso por barcos, em uma distância um pouco menor.

• Praia da Feiticeira

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Praia da Feiticeira, Ilha Grande/RJ

Reza a lenda, que a esposa de um fazendeiro de Sítio Forte certa vez ficara muito doente, vindo a descobrir que estava amaldiçoada por um feitiço conjurado por uma das escravas. A dona da magia, como punição, foi mandada para uma fazenda nesta praia distante, que desde então passou a ser chamada de Praia da Feiticeira, bem como a cachoeira homônima.

A Praia da Feiticeira é linda e com águas azuis límpidas, mas a pequena praia normalmente tem que ser dividida com muitos turistas que chegam em grandes quantidades em barcos e por isso não está na minha lista de preferidas. Preferi ficar mais próximo das pedras, do lado direito, onde achei mais bonito e podia ficar mais sossegado, e não tardei a seguir em frente.

Estrutura/Interesses: Não possui serviços de hospedagem, apenas atividades comerciais básicas através de vendedores ambulantes; Standup Paddle (SUP).

Importante: Ao sair da Praia da Feiticeira confirme com um ambulante a continuação da Trilha T2 em direção ao Saco do Céu, pois não há sinalização oficial. De qualquer forma não há grande risco de se perder.

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Canto da Praia da Feiticeira, Ilha Grande/RJ

• Praia de Iguaçu e Praia da Camiranga

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Praia da Camiranga, Ilha Grande/RJ

A Praia de Iguaçu é de mar transparente azulado, parecido com o da sua vizinha Feiticeira. A diferença são os coqueiras que a cercam e seu clima de praia menor, mais aconchegante.

Andando um pouco mais uma placa oficial desgastada pelo tempo indica a chegada na Praia da Camiranga. Esta com areia mais amarelada que as anteriores, mas igualmente com águas claras. Ali também desemboca o rio que leva o mesmo nome da praia. Camiranga na antiga língua indígena significa “urubu”.

Minha trip: Aproveitei para fazer um lanche e descansar. Ao longo desta praia e por vários outros trechos até o Saco do Céu reparei em algo absurdo: vários píeres particulares. DETALHE: Alguns se apoiavam em pedras, passando assim, a PRIVATIZAR a NATUREZA, impedindo o acesso PÚBLICO. Me pergunto que mal há em dividi-los com outras pessoas. Onde vamos parar…

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Pausa pro lanche na Praia da Camiranga, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: Tanto a Praia de Iguaçu quanto a Praia da Camiranga possuem serviços de hospedagem, mas nenhuma grande estrutura turística além disso; Standup Paddle (SUP).

Importante: Apesar de haver um rio no local não achei confiável beber sua água, o que não me fez falta já que havia reabastecido na cachoeira.

• Praia de Perequê e Praia de Fora

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Praia de Perequê, Ilha Grande/RJ

Seguindo em frente pela Trilha T2 (Abraão – Saco do Céu) avista-se a Praia de Perequê. Esta tem uma faixa de areia longa e bem estreita que aconselho ser cruzada enquanto a maré está  baixa, como eu fiz. Atrás dessa praia está um mangue onde a água do mar inunda durante a maré alta, passando por cima da restinga. Mais adiante está a Praia de Fora, que é a continuação da anterior. A vista mostra a incrível imensidão das águas em direção ao horizonte.

Estrutura/Interesses: a Praia de Perequê e Praia de Fora não possuem serviços de hospedagem e atividades comerciais; Standup Paddle (SUP).

• Saco do Céu

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Saco do Céu, Ilha Grande/RJ

Caminhando em frente, começam a surgir diversas propriedades particulares cercadas e com placas de sinalização. Em um desses locais está uma placa de “proibido o acesso”, informando que há uma cachoeira de onde vem o fornecimento de água do Saco do Céu.

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Minha trip: Eu já ia entrar pela pequena porteira para pegar um pouco de água quando avistei um nativo a quem pedi permissão e pude passar com a tranquilidade de não estar violando nada.

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Porteira onde desviei um pouco da trilha para pegar um pouco de água na cachoeira

Lá tomei um banho e reabasteci a garrafinha.

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Cachoeira na trilha para o Saco do Céu, onde desviei para reabastecer minha água

Segui em frente passando por trás de propriedades e casas de moradores. Ao lado via a bonita paisagem da Enseada das Estrelas. Após caminhar um tempo cheguei em uma ponte que cruza um rio negro onde ficam caranguejos. Ali, por falta de sinalização fiquei em dúvida entre seguir reto onde haviam degraus de pedra ou cruzar a ponte, acabei tomando o caminho dos degraus, mas este é o errado, levando a casa de um morador. Siga pela ponte e apesar de parecer que está invadindo residências, o caminho é este mesmo.

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Caminho errado dos degraus na trilha já chegando no Saco do Céu

Quase chegando no Saco do Céu, parei na Enseada das Estrelas e aproveitei para reabastecer minha garrafinha com água na Unidade de Saúde. Continuando pela trilha, o caminho se faz por trás da escola municipal de muro quadriculado azul.

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Reabastecendo a água na trilha para o Saco do Céu, Ilha Grande/RJ

O Saco do Céu parece uma grande lagoa envolta por serras de mata nativa com águas muito calmas e sem ondas. Durante o dia é possível enxergar estrelas-do-mar nas proximidades, e a noite o céu reflete suas estrelas nas águas calmas do local. Há um mangue local e grande atividade comercial na região. A fartura de opções culinárias do Saco do Céu da ao turista uma gama considerável de opções de cardápio, preços e gostos.

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Enseada das Estrelas vista da trilha à caminho do Saco do Céu, Ilha Grande/RJ

Apesar de bonita, a praia do Saco do Céu também não figura entre as mais bonitas que vi em Ilha Grande, então não demorei a seguir em frente, pegando a Trilha T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana).

Estrutura/Interesses: Possui tanto bares e restaurantes, quanto serviços de hospedagem, incluindo pousadas e camping. Possui sinal de algumas operadoras de celular e internet 3g; energia elétrica e alguns estabelecimentos aceitam cartões. Standup Paddle (SUP)

Acessos da Trilha T2: Todas as praias citadas ao longo da Trilha T2 (Abraão – Saco do Céu) possuem acesso tanto caminhando da Vila de Abraão, quanto através de taxi boats. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno).

Estrutura/Interesses da Trilha T2: mirantes, praias, Cachoeira da Feiticeira, animais silvestres, riachos, rapel, mangue, piscina natural, igreja do Saco do Céu, bares, restaurantes, hospedagem, Standup Paddle (SUP).

Importante: o melhor guia para se certificar que está na trilha correta desde a trilha para o Saco do Céu até Provetá são os postes que levam energia elétrica aos povoados. Fique atento a eles e você não terá riscos de se perder.

seta-instinto-viajante 8. Trilha T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana)

Saindo do Saco do Céu, pode-se tomar dois caminhos. Um deles é uma trilha alternativa que liga o Saco do Céu a Praia de Bananal por um trecho moderado de 3,6 KM, é uma espécie de corta-caminho. Sua orientação também possui nível médio devido a falta de sinalização constante.

A outra opção, que foi a que escolhi, é seguir pela trilha oficial T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana). Esse trecho cobre 3,9 KM de um caminho fácil, apesar das subidas e descidas, e que possui mais praias pelo caminho. A orientação é fácil. No caminho da pra visitar as praias do Conrado, do Amor e Guaxuma – esta, homônima a uma das praias de Abraão, é uma pequena praia particular com acesso por trilha.

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Trilha oficial T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana)

• Praia do Funil e Japariz

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Caminho indo para Japariz, Ilha Grande/RJ

A Praia do Funil, como o próprio nome sugere, é um estreito canal entre dois morros que seguem para o interior da Ilha, formando uma pequena praia que só é possível curtir na maré cheia. Quando fui não tive o prazer de desfrutar dela, pois estava em baixa.

Minha trip: Mais adiante e cansado, alcancei a Praia de Japariz, e enquanto descansava em uma pedra conheci o Demisson. Ele curtiu meu projeto de viajar sem grana e batemos um longo papo. Estava ali a trabalho, pois traz turistas de barco do Rio de Janeiro. Falou que conhecia Maricá (minha cidade natal) e que ia muito em Piratininga e Itacoatiara (em Niterói, onde eu morava antes de largar tudo para viajar). Lembrou com alegria em seus olhos e tom de orgulho na fala, de quando ele e seu amigo – João Padeiro – salvaram duas meninas que se afogavam em Piratininga enquanto eles passavam de caiaque.

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Praia de Japariz, Ilha Grande/RJ – restaurantes e movimento intenso de turistas

Japariz é uma praia que possui águas bonitas, mas não gostei, pois é uma praia curta e com a maior parte tomada por restaurantes. Havia muitos turistas e skunas quando passei, um certo ar antipático e muita sujeira na areia. Pra quem gosta de fartura na opção de restaurantes na beira da praia, Japariz é uma boa opção.

Estrutura/Interesses: Possui variedade de restaurantes e estes aceitam cartões. É um bom ponto para descanso da trilha. Não possui opções de hospedagem. Standup Paddle (SUP).

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Trilha saindo da Praia de Japariz, Ilha Grande/RJ

• Lagoa Azul

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Lagoa Verde, Ilha Grande, Brasil. Foto: ilhagrande.com.br

Descansei em Japariz, comi e segui para a Trilha T3 em direção a Freguesia de Santana. Não tardei a passar pelo local tão citado em Ilha Grande: a Lagoa Azul. Esta é um local cercado por quatro ilhas distribuídas circularmente que formam uma grande piscina natural dentro do mar. Suas águas são azuis e límpidas, constituindo uma linda área para snorkeling, onde habitam diversos peixes, estrelas-do-mar, algas e corais.

Conversando com moradores você pode tentar alcançar o Mirante da Lagoa Azul, um pico de 430 metros que não visitei. Se informe, pois não há uma trilha sinalizada para tal. De lá há uma vista privilegiada para a Lagoa Azul, as praias de Freguesia de Santana, o Saco do Céu, o Farol dos Castelhanos, toda a Enseada das Estrelas e o do continente.

O problema da Lagoa Azul? Seu acesso real se da apenas por embarcações. Da trilha só é possível avistar seu imenso azul de longe. Nunca fiz o passeio de barco, mas mais de uma pessoa já contou que acaba não sendo tão legal devido ao número de barcos que visitam o local ao mesmo tempo. A solução seria visitar a área para snorkeling no inverno, tendo como um fator negativo o frio. Pra mim a Lagoa Azul acabou se revelando um marketing muito grande feito pelas agências de turismo, mas que não justificam tanto sua procura. De qualquer modo, mergulhar lá significa a certeza de estar ao lado de uma linda vida marinha.

Atualização do leitor Murilo Esteban: no final da praia de Grumixama, seguindo pelas pedras e entrando no mata, tem uma trilha não oficial que leva até a lagoa azul (opção para quem quer ir a lagoa Azul de graça). Do final da praia até a lagoa azul leva uns 20 minutos no máximo.

Estrutura/Interesses: piscina natural, snorkeling.

• Freguesia de Santana

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Praia de Freguesia de Santana, Ilha Grande/RJ

Seguindo pela Trilha T3, andei um pouco mais até alcançar o final da trilha, em Freguesia de Santana. Uma praia que me decepcionou um pouco, ou melhor que a ação do homem me fez ficar decepcionado. Como em Japariz, lá também é um ponto comum de passeios de skuna com turistas numerosos, então era frequente avistar lixo na areia. A faixa de areia é bem curta, pois há uma grande propriedade particular (!!!) que cobre quase toda praia. Ouvi dizer que seria de um banco. Quando a maré sobe quase não há lugar onde ficar na areia.

Em Freguesia de Santana estava uma das fazendas mais prósperas de Ilha Grande no século XVII. Escravos eram forçados a colher legumes, cereais, café e cana-de-açúcar, que produziam açúcar e cachaças famosas na época. A Igreja de Santana data de 1796, tendo sido reformada em 1843, e é considerada o monumento religioso mais importante de Ilha Grande. Atualmente está quase sempre fechada, possuindo algumas obras que podem ser apreciadas em seu entorno.

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Igreja de Santana (1796), considerada o monumento religioso mais importante de Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: Não possui serviços de hospedagem, apenas atividades comerciais básicas através de vendedores ambulantes. Possui serviço de banana boat como recreação.

• Praia da Baleia

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Praia da Baleia, Ilha Grande/RJ

Caminhando até o fim da Praia de Freguesia de Santana está a curta trilha que leva até a Praia da Baleia. Esta é uma praia mais reservada, distribuída em cerca de 150 M de areia branca banhada por um mar de águas claras. Andando até seu final avista-se o canal que separa a Ilha Grande da Ilha dos Macacos, de onde é possível ver um pouco mais da Lagoa Azul.

Estrutura/Interesses: Não possui nenhum tipo de atividade comercial.

Acessos da Trilha T3: Todas as praias citadas ao longo da Trilha T3 (Saco do Céu – Freguesia de Santana) possuem acesso tanto caminhando do Saco do Céu, quanto através de taxi boats ou, em alguns casos, com passeios turísticos de escuna. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno). Para ir até a Lagoa Azul somente com barco.

Estrutura/Interesses da Trilha T3: ruínas de fazendas, praias, piscinas naturais, cultivo de mexilhão, bares, restaurantes, cemitérios, banana boat, igreja de Freguesia de Santana. Possui sinal de celular apenas da operadora Vivo e internet 3g da mesma (dado de janeiro de 2015); possui energia elétrica, mas em alguns casos limitada apenas a propriedades particulares. Esse trecho inteiro não possui hospedagens. Num eventual pernoite nas praias de Freguesia de Santana e da Baleia é preciso ter cuidado devido ao movimento das marés que pode cobrir com água toda faixa de areia.

seta-instinto-viajante 9. Trilha T4 (Freguesia de Santana – Bananal)

Após concluir a Trilha T3, deve-se seguir por trás da Igreja de Freguesia de Santana a fim de seguir pela Trilha T4 que liga esta a Praia de Bananal. Esta trilha também é fácil, possuindo descidas e subidas pouco acentuadas, distribuídas por uma extensão de 2,8 KM, mas precisa de atenção quanto ao caminho.

Minha trip: Minha ideia era conseguir um lugar para pernoitar em Freguesia de Santana, pois o sol já estava se pondo e eu não tinha lanterna. Porém o Leandro que trabalha no banana boat me garantiu que dava para chegar em Bananal antes do anoitecer, sendo assim, fui para a Trilha T4 (Freguesia – Bananal).

• Praia de Baixo e Grumixama

A Praia de Baixo é também conhecida como Freguesia de Santana do Sul, uma pequena praia com um cemitério próximo e de onde se pega a trilha para a Praia de Grumixama, margeando o mar. É uma Praia próxima da Lagoa Azul, portanto com águas lindas e calmas.

Atualização do leitor Murilo Esteban: no final da praia de Grumixama, seguindo pelas pedras e entrando no mata, tem uma trilha não oficial que leva até a lagoa azul (opção para quem quer ir a lagoa Azul de graça). Do final da praia até a lagoa azul leva uns 20 minutos no máximo.

Estrutura/Interesses: snorkeling, Standup Paddle (SUP), caminho para a Lagoa Azul. Não possui nenhum tipo de atividade comercial.

• Bananal Pequeno e Bananal

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Bananal Pequeno, Ilha Grande/RJ

Após cruzar Bananal Pequeno conclui-se a Trilha T4 na Praia de Bananal, que fica logo ao lado.

Minha trip: Cheguei em Bananal quase junto do temporal que caiu. Passava próximo ao Hostel Mi Casa Tu Casa e entrei exatamente quando o céu desabou. Não havia ninguém, então ficamos na varanda, eu, Donald (mascote da minha trip), 2 cães e 2 gatos. Já no início da madrugada, quando a chuva acalmou, chegaram os donos super gente-finas, Ravel e Fernanda, ele brasileiro, ela chilena. Passei a noite por lá, carreguei minhas pilhas e assisti a um bom filme argentino com eles: um conto chinês.

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Praia do Bananal, Ilha Grande/RJ

Bananal é um povoado um pouco mais movimentado oferecendo uma relativa atividade noturna através de seus bares e restaurantes. As águas são calmas como uma lagoa e possuem uma coloração verde mais escura. Possui um píer de onde se vê uma intensa chegada e saída de turistas. Bananal realiza, em julho, um famoso Festival de Cultura Japonesa. Não sei se por isso ou apenas coincidência, mas vi muitos turistas japoneses por lá, mesmo no mês de janeiro. De lá também há a trilha para o Mirante do Bananal, de onde se tem uma linda vista da Enseada do Bananal.

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Mirante do Bananal, Ilha Grande, Brasil. Foto: ilhagrande.com.br

Estrutura/Interesses: igreja, snorkeling, Standup Paddle (SUP), mirante, bares, restaurantes, hospedagem (camping, hostel, pousada e casas de moradores), telefones públicos, sinal de celular e internet 3g (principalmente Vivo, mas outras operadoras podem funcionar próximo ao píer), festival de cultura japonesa em julho. Alguns estabelecimentos aceitam cartões.

Acessos da Trilha T4: Todas as praias citadas ao longo da Trilha T4 (Freguesia de Santana – Bananal) possuem acesso tanto caminhando de Freguesia de Santana, quanto através de taxi boats. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno).

Estrutura/Interesses da Trilha T4: ruínas de fazendas, praias, mirantes, igrejas, cemitério, bares, hospedagens, snorkeling, Standup Paddle (SUP). Bananal é um vilarejo com boa estrutura, possuindo além do citado acima, energia elétrica.

seta-instinto-viajante 10. Trilha T5 (Bananal – Sítio Forte)

Minha trip: após as cenas do capítulo anterior, passei a noite em Bananal e no dia seguinte, pela manhã, rumei para a Trilha T5 (Bananal – Sítio Forte) que começa no fim da Praia de Bananal, à direita. O caminho possui 4,9 KM de travessia fácil em subidas e descidas tranquilas. Sua orientação também é simples.

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Ponte chegando na Praia de Matariz, em Ilha Grande/RJ

• Matariz

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Praia de Matariz, em Ilha Grande/RJ

Assim como Bananal, Matariz é uma praia bem calma, a diferença está na cor da suas águas, que são mais claras. Em seu passado Matariz era famosa e agitada devido a uma fábrica de sardinhas, hoje restam apenas suas ruínas em um lugar de calmaria e relaxamento.

Estrutura/Interesses: igreja, snorkeling, standup paddle (SUP), restaurantes, hospedagem (camping, pousada e casas de moradores). Alguns estabelecimentos aceitam cartões.

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Píer na parte esquerda da Praia de Matariz, por onde começa a trilha sentido Sítio Forte, em Ilha Grande/RJ

Depois de passar próximo do píer, basta seguir pela ponta de Matariz e pegar a trilha para Jaconema pela esquerda. No fim da Praia de Matariz, próximo as ruínas, está o caminho da Trilha T5 que liga esta à Jaconema.

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Ponta da Praia de Matariz, em Ilha Grande/RJ

• Jaconema

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Jaconema, em Ilha Grande/RJ

A Praia de Jaconema é acessada ao descer, desviando do caminho da trilha que segue para Sítio Forte. Como o caminho é curto vale a pena descer para conhecer, mas caso queira seguir em frente ela poderá ser ignorada. Após descer pela trilha com bananeiras aos montes, chega-se na pequena praia de apenas 15 M, própria para prática de snorkeling e standup paddle (SUP), com possibilidades de avistar tartarugas e peixes sem grandes esforços.

Minha trip: Lá a Sandra que trabalha no único restaurante da praia encheu minha garrafinha com água.

Estrutura/Interesses: um restaurante, snorkeling e mergulho – há uma equipe no local que presta serviços de mergulho com cilindros. O local aceita cartões e é possível pedir água da bica.

Seguindo por uma bonita trilha arborizada e com chão de muito barro, alcança-se as praias de Passaterra, Maguariqueçaba e Marinheiro. O caminho pra variar tem muitos verdes e laranjas lindos.

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Trilha T5 (Bananal – Sítio Forte) em Ilha Grande/RJ

• Passaterra, Maguariqueçaba e Marinheiro

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Praia de Passaterra, em Ilha Grande/RJ

Não muito longe de Jaconema está a Praia de Passaterra com areia de cor forte e águas calmas e claras. No canto direito desta há uma piscina natural onde é possível relaxar e curtir sua calmaria.

Em seguida, bem pertinho, está a praia trava-língua: Maguariqueçaba. Eita nome complicado! Ela é bem similar a sua vizinha, com o adicional de possuir diversas criações de mexilhões e do molusco coquille Saint-Jacques (típico da culinária francesa).

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Maguariqueçaba, em Ilha Grande/RJ

Caminhando um pouco mais pode-se ver, ou não, a Praia do Marinheiro. Isto, pois, esta pequena praia rodeada pela mata costuma “sumir” em horários e épocas de altas marés. Eu não consegui vê-la.

Estrutura/Interesses: com exceção da Praia do Marinheiro que não possui atividades comerciais, as outras duas possuem restaurantes e hospedagens (camping, pousada e casas de moradores). Todas são ótimas para snorkeling e standup paddle (SUP). Alguns estabelecimentos aceitam cartões.

• Sítio Forte

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Portal de chegada em Sítio Forte, a praia mais verde de Ilha Grande/RJ

Ao concluir a Trilha T5 significa que estamos em Sítio Forte. Seu portal de entrada é visto ao longe, ladeado por suas palmeiras coloniais e seu verde intenso. Sítio Forte possui uma suavidade característica de Ilha Grande e águas bem calmas como todo esse lado da ilha. É a praia mais verde de Ilha Grande com sua orlaa quase toda coberta por grama. Seu território abriga um mangue fundamental para a vida marinha, pois é um importante berçário de nome mangue-branco. Não curti muito Sítio Forte, o verde com cara de sítio é muito bonito, mas grandes propriedades particulares e o estilo da praia não me agradaram. Lá percebi que havia perdido meu mapa bom, o de papel reciclado, acho que em Matariz. =(

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Sítio Forte, em Ilha Grande/RJ

Minha trip: Conversei com um rapaz meio de poucos amigos, enchi minha água no ladrão de uma caixa d`água que escorre mais ou menos no meio da praia, descansei, comi um biscoito e segui para adiante, pela Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba).

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Enchendo garrafinha d’água, em Sítio Forte, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: com exceção da Praia do Marinheiro que não possui atividades comerciais, as outras duas possuem restaurantes e hospedagens (camping, pousada e casas de moradores). Todas são ótimas para standup paddle (SUP) e snorkeling e Sítio Forte é recomendada para mergulho. Alguns estabelecimentos aceitam cartões.

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Sítio Forte, Ilha Grande/RJ

Acessos da Trilha T5: Todas as praias citadas ao longo da Trilha T5 (Bananal – Sítio Forte) possuem acesso tanto caminhando de Bananal, quanto através de taxi boats. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno). Ou você pode seguir direto com barcos que saem de Angra dos Reis.

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Garça desfilando pelas águas de Sítio Forte, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses da Trilha T5: ruínas, praias, piscinas naturais, mirantes, mangue, figueira branca, bares, restaurantes e hospedagens. Sítio Forte é um lugar com certa estrutura, possuindo além do citado acima, energia elétrica.

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Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba)

seta-instinto-viajante 11. Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba)

Após descansar fui até o final de Sítio Forte, onde começa a Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba). Esta cobre 6 KM de distância com esforço moderado que mescla subidas e descidas um pouco ingrimes. Sua orientação é simples, sendo difícil se perder.

• Taperá e Ubatubinha

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Taperá, em Ilha Grande/RJ

As praias deste lado da ilha são bastante procuradas por donos de veleiros e é fácil vê-los ancorados durante o trajeto. Os caminhos são de um verde intenso mesclados por trechos que cortam diversas praias, quando caminhamos pela areia. Uma dessas praias é Taperá, uma praia calma e com águas limpas. Por lá há um córrego, infelizmente poluído, e no caminho vi alguns patos andando pela praia. Dali segui sentido Ubatubinha, passando por um lindo mirante.

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Taperá vista do mirante na Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba), em Ilha Grande/RJ

Rapidamente cruzei a trilha e cheguei em Ubatubinha, praia similar a anterior, de uma calmaria inebriante. O nome Ubatubinha significa “canoa pequena” na língua indígena e ainda é possível ver marcas de afiamento de ferramentas do tempo dos índios por lá.

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Ubatubinha, em Ilha Grande/RJ

Caminhando ao lado dos quero-queros cheguei até a Praia da Longa.

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Ubatubinha, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: ambas as praias, Taperá e Ubatubinha, possuem restaurantes e são indicadas para snorkeling e standup paddle (SUP). Não possuem hospedagem.

• Praia da Longa e Lagoa Verde

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Praia da Longa, em Ilha Grande/RJ

A Praia da Longa é um pouco mais movimentada que as anteriores, mais habitada. Nas festividades de São pedro há comemoração na praia e procissão de barcos. O mar é parecido com as anteriores e dependendo do dia da pra se pegar algumas ondas. É de lá que sai a trilha para a Lagoa Verde, no canto esquerdo da praia.

A Lagoa Verde é uma bonita piscina natural formada nas proximidades da Praia da Longa. Lá é indicado para observação da vida marinha.

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Lagoa Verde, Ilha Grande, Brasil. Foto: ilhagrande.com.br

Estrutura/Interesses: a Praia da Longa possui restaurante e camping. Snorkeling na Lagoa Verde.

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Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba), em Ilha Grande/RJ

A trilha a caminho de Araçatiba é também muito bela, como quase todas vistas na volta completa na Ilha Grande.

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Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba), em Ilha Grande/RJ

• Araçatiba, Praia da Cachoeira e Mirante da Lagoa Verde

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Quase chegando em Araçatiba, em Ilha Grande/RJ

A Trilha T6 tem seu fim na Praia Grande de Araçatiba, um povoado bastante desenvolvido em relação aos outros vistos pelo caminho. Seu nome deriva da cultura indígena, pelo fato da região possuir muitas araças, uma fruta similar a goiaba. Araçatiba também é famosa por abrigar o Festival do Mexilhão, uma vez por ano. Para mergulhar a dica é ir até a Praia da Cachoeira, no canto direito, ótima para snorkel.

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Chegada em Araçatiba, em Ilha Grande/RJ

Araçatiba também possui trilha para a Lagoa Verde, andando em direção a Praia da Longa. Nessa trilha, logo na subida, há uma bifurcação à esquerda que leva a Lagoa Verde, um pouco mais à frente está o caminho para o Mirante da Lagoa Verde ou Pico do Urubu. De lá se vêem a Lagoa Verde e a Enseada de Araçatiba, bem como morros vizinhos que são parte da Reserva Biológica da Praia do Sul.

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Praia Grande de Araçatiba, em Ilha Grande/RJ

Minha trip: Em Araçatiba o mau tempo continuava sendo uma ameaça e como só possuía saco de dormir, me abriguei na varanda de uma casa vazia com placa de “aluga-se”. Lá escapei do temporal. No dia seguinte, logo cedo, fiz um lanche rápido e caminhei um pouco pela praia . Depois vesti minha capa de chuva e segui para a Trilha T7 (Araçatiba – Gruta do Acaiá) sob um tempo feio.

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Praia Grande de Araçatiba, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: a infraestrutura é bem desenvolvida em relação a outros lugares da ilha; existe energia elétrica; possui igreja, bares, restaurantes, posto médico, banheiro público, pousadas, campings; alguns estabelecimentos aceitam cartões; existe sinal de celular apenas da operadora Vivo e internet 3g da mesma, bem como telefones públicos; é indicada para snorkeling e remo.

Importante: ainda em Araçatiba há uma casinha vermelha mais pro fim da praia que é um banheiro público tranquilo de usar, tanto sanitários, quanto chuveiro. Quando fui haviam retirado o chuveiro por conta da falta d`água, mas o normal é estar disponível.

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Relaxando ao chegar na Praia Grande de Araçatiba, em Ilha Grande/RJ

Acessos da Trilha T6: todas as praias citadas ao longo da Trilha T6 (Sítio Forte – Araçatiba) possuem acesso tanto caminhando de Sítio Forte, quanto através de taxi boats. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno).

Estrutura/Interesses da Trilha T6: ruínas, praias, piscina natural, mirantes, bares, restaurantes e hospedagens. Araçatiba é um vilarejo com boa estrutura, possuindo além do citado acima, energia elétrica.

seta-instinto-viajante 12. Trilha T7 (Araçatiba – Gruta do Acaiá)

A Trilha T7 possui subidas bem íngremes e alguns trechos são puxados. Mesmo sendo a primeira do dia e estando leve, as subidas escorregadias por conta do temporal castigavam meu corpo. Nesse percurso tomei os dois primeiros tombos da trip. No chão, os rastros finos que terminavam em buracos no chão indicavam a passagem de cobras na região, até então não havia visto nenhuma, mas sabia que estavam no entorno. Esta trilha é semi-pesada, em um trajeto de 6 KM com várias subidas. A orientação é fácil, mas sugiro que pergunte o caminho para moradores ao chegar na Praia Vermelha, para evitar riscos. Após esta praia não se espante ao achar que está passando por casas de pescadores, pois no trecho final é realmente isso que ocorre.

• Araçatibinha e Itaguaçu

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Praia de Araçatibinha, em Ilha Grande/RJ

Caminhando um pouco, logo cheguei na Praia de Araçatibinha. Esta pequena e de areia amarelinha e águas claras. Seguindo adiante cheguei na aconchegante prainha de Itaguaçu. É uma descidinha no meio da trilha que precisa ser visitada. A praia é bem pequena e reina a paz. Itaguaçu significa cercada de pedras na antiga língua dos índios e bem no meio da praia há uma grande rocha de onde se pode sentar e relaxar olhando a infinitude do mar se perdendo no horizonte.

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Charmosa Praia de Itaguaçu, em Ilha Grande/RJ

Minha trip: Lá sentei por um tempo e até desejei ter a paz de morar na pequena casinha solitária que há.

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Paz e tranquilidade na Praia de Itaguaçu, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: snorkeling em ambas; hospedagem em Itaguaçu.

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Praia Vermelha vista da Trilha T7 (Araçatiba – Gruta do Acaiá), em Ilha Grande/RJ

• Praia Vermelha

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Praia Vermelha, em Ilha Grande/RJ

Subi de volta para a Trilha T7 e caminhei um tempo razoável até alcançar a Praia Vermelha. Em termos de movimentação se parece com a Praia da Longa. Em tempos passados, esta praia era o local onde se faziam os abates de baleias jubartes que devido ao sangue deixado na águas deu nome a praia. Hoje, a caça (que bom!) é proibida e o que ficou foram as águas límpidas e algumas fazenda aquáticas de cultivos de algas e mexilhões. Ali perto também há um naufrágio famoso, do navio Califórnia, abatido por piratas em 1866.

Minha trip: Cheguei a Praia Vermelha sob uma chuva fina e lá conversei com moradores pra me certificar de estar no caminho certo. Andando até seu final peguei a subida pela mata em direção a Gruta do Acaiá. O inicio é de subida pesada e o caminho enlameado dificultava ainda mais.

Estrutura/Interesses: snorkeling, mergulho; restaurante, hospedagem.

Logo que sai da Praia Vermelha seguindo em direção à Gruta do Acaiá, é possível admirar a bela praia por um mirante.

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Praia Vermelha vista do Mirante na subida para a Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

• Gruta do Acaiá

Após passar pela Praia Vermelha, a trilha para a Gruta do Acaiá está no seu trecho final, mas não significa faltar pouco, pois ainda da uma boa caminhada. A recompensa da forte subida inicial foi mais essa vista privilegiada do mar de Ilha Grande (foto).

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Oceano e ilhas vistos de um Mirante na subida para a Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

Na trilha a natureza é imponente e selvagem, com muitos passarinhos e lagartos cruzando meu caminho, além de sons variados. Pelo caminho, placas não oficiais indicam o caminho da trilha para a Gruta do Acaiá.

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Placas não oficial indicando o caminho da trilha para a Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

O caminho não é nem um pouco leve e a lama de quando fui dificultava ainda mais a jornada.

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Trilha para a Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

Vá com calma, paciência e atenção, pois sempre está escorregadio e dias de chuva podem piorar bastante.

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Trecho de descida na Trilha para a Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

No fim da trilha há um portãozinho e uma placa de “propriedade particular” que me fizeram pensar que havia me perdido. Mesmo assim passei pelo portão e cheguei aos fundos das casas de alguns moradores, estava certo e um deles me guiou até o buraco de entrada da gruta.

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Porteira de propriedade privada chegando na Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

A passagem tem cerca de 5 M de profundidade que após um caminho de uns 20 M leva a um salão subterrâneo de 60 CM de altura. Quando vi o buraco, a escada e a escuridão (eu não tinha lanterna) pensei seriamente que não entraria ali sozinho. Mas depois de andar tanto esse teria que ser mais um desafio vencido na minha volta completa na Ilha Grande.

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Buraco de acesso à Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

Deixei de lado qualquer lampejo de claustrofobia e comecei a descer pela escada de madeira, rústica, mas segura, sem saber o que me aguardava.

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Dentro da Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ (foto com flash)

A Gruta do Acaiá é tomada por uma escuridão sem fim, então utilizei o flash da câmera para iluminar o caminho enquanto me esgueirava pelas paredes estreitas. De tempo em tempo recebia uma rajada de vento frontal que vem da entrada da gruta pelo mar e corre até a subida. É fantástico. Posteriormente soube que Acaiá significa “sopro” para os índios e talvez seja por isso.

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Dentro da Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ (foto com flash)

A Gruta é um verdadeiro teste para claustrofóbicos. E para mim foi um desafio descê-la sozinho. O efeito de fluorescência que aparece na foto é um fenômeno causado pelo entrada do sol no túnel submerso que liga o mar a gruta. Acho que valeu todo o esforço.

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O fantástico efeito de fluorescência na Gruta do Acaiá, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: para visitar a gruta os moradores cobram $10, mas como estava viajando sem dinheiro resolvi na conversa; o local possui um bar, mas quando fui não estava aberto. É possível pedir aos moradores para encher a garrafa com água da bica que pode ser bebida tranquilamente. O local é indicado para mergulho.

Acessos da Trilha T7: Todas as praias citadas ao longo da Trilha T7 (Araçatiba – Gruta do Acaiá) possuem acesso tanto caminhando de Araçatiba, quanto através de taxi boats. Exceto a Gruta do Acaiá que para chegar de barco, apenas com passeios junto a agências turísticas que podem ser contratadas mais facilmente em Abraão. Há disponibilidade de taxi boat normalmente até as 18hrs (caso utilize este serviço anote o contato telefônico para solicitar o retorno).

Estrutura/Interesses da Trilha T7: praias, piscina natural, bares, hospedagens, casa da farinha da Dona Teresa, gruta. A Gruta do Acaiá não possui hospedagem, é preciso ir e voltar para Araçatiba, ou seguir no caminho para Provetá.

seta-instinto-viajante 13. Trilha T8 (Araçatiba – Provetá)

Minha trip: Após visitar a Gruta do Acaiá retornei para a trilha e depois de caminhar cerca de uma hora cheguei na divisão onde deveria escolher entre seguir de volta em direção a Araçatiba ou rumar adiante por quase 5 KM até Provetá. Como estava me sentindo bem escolhi seguir para Provetá na Trilha T8 (Araçatiba – Provetá).

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Placa de divisão entre quem segue para a Gruta do Acaiá ou para Provetá

Esta trilha possui 4,7 KM, mas indo direto do meio do caminho para a Gruta do Acaiá anda-se um pouco menos que isso. É um trecho de subidas e descidas de fácil orientação, mas que exige um esforço físico que me faz classificar como pesada.

O início do caminho para Provetá é ainda mais ingrato que a saída da Praia Vermelha. Diante da forte subida pensei novamente no meu fator de automotivação (já que fiz a volta sozinho) que usei por toda minha volta completa em Ilha Grande: sempre que pegava uma grande subida firmava o pensamento em lembrar que em algum momento haveria uma grande descida e trechos planos.

Minha trip: Foi na Trilha T8 que sofri os maiores perrengues em termos de ações do tempo. Além do peso natural da trilha, a chuva resolveu castigar ainda mais e o caminho que já era escorregadio piorou bastante, fazendo pesar minha mochila e tênis. Nesse trecho adicionei mais três tombos para a conta do meu corpo cansado. A subida permanecia e eu já rezava para que ele começasse a descer. Mirava ao longe para ter o foco, mas andava olhando pro chão próximo como quem vence a batalha palmo a palmo.

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Momento de maior esforço físico, na Trilha T8 (Araçatiba – Provetá)

A trilha finalmente começou a descer, mas antes que pudesse comemorar um nevoeiro começou a se formar. Meu acalanto era somente ter certeza do quanto os perrengues aumentavam o valor da trama que foi minha volta completa em Ilha Grande.

Mais a frente, me livrei do nevoeiro e comecei a desfrutar dos trechos planos e descidas da trilha que se encaminhava ao seu fim. A chuva se acalmando era como a alvorada, anunciando que havia vencido mais uma etapa. Esse trecho combinou diferentes adversidades e foi onde conheci uma disposição que nem eu sabia que tinha. Vencer os obstáculos pelos caminhos e chegar a novas placas, praias e vilarejos tem um gosto incrível.

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Fim do perrengue, fim da neblina, na Trilha T8 (Araçatiba – Provetá)

• Provetá

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Praia de Provetá, em Ilha Grande/RJ

Minha trip: Enfim, depois de um dia de alguns tombos e muito escorregões alcancei a praia de Provetá – coincidência ou não, a praia de mais fé em Ilha Grande. Estava enlameado e esfomeado. Comi, tirei o tênis e fiquei deitado na praia por um bom tempo. Lá esbarrei novamente com dois amigos que também estavam fazendo a volta completa em Ilha Grande e que havia trocado uma ideia rápida na passagem por Bananal.

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Praia de Provetá, em Ilha Grande/RJ

Provetá é o segundo maior povoado de Ilha Grande. Tem uma estrutura simples, porém completa, já que a comunidade é de pescadores e com mercado local bem desenvolvido. Em Provetá há hospedagens, restaurantes, mercadinhos e é um bom ponto caso precise recarregar os mantimentos. A vida noturna não é intensa, mas é possível ouvir uma música aqui e outra ali, e as pessoas ficam conversando pela pracinha até tarde. De lá também há diversos traslados, seja para Aventureiro que está ao lado, Abraão ou até mesmo para o continente. A comunidade é famosa pela grande igreja evangélica que há na simpática pracinha principal e pelo número de devotos.

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Igreja de Provetá, em Ilha Grande/RJ

O culto aconteceu por volta das 19h e era impressionante o número de crianças brincando de pique na pracinha até depois da meia noite, simbolizando a tranquilidade do lugar e me lembrando quão bela é a inocência e não preocupação das crianças.

A praia é linda e com boas ondas para quem gosta de mares um pouco mais agitados. A partir deste povoado os mares passam a apresentar mais ondas e mais força do que as praias anteriores, inclusive dando a possibilidade de surfar.

Atualização do leitor Murilo Esteban: da praia de Provetá existe uma trilha que leva a Praia de Meros. Não fiz, mas estudei a topografia e acredito que seja uma trilha leve, de cerca de 40min – 1h.

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Surfe em Provetá, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: possui posto médico, restaurantes, pousadas, campings. Há sinal de celular apenas da operadora Vivo e internet 3g da mesma, bem como telefones públicos. Vila de pescadores, comunidade evangélica e igreja cartão postal. Surf (ondas pequenas) e snorkeling.

Importante: no lado direito da praia há um chuveiro de água doce onde tomei banho, escovei os dentes e enchi minha garrafa d’àgua.

Acessos da Trilha T8: Saindo da Gruta do Acaiá só há Provetá pelo caminho. Nela pode-se chegar por trilha ou barcos que saem tanto de Abraão quanto diretamente do continente.

Estrutura/Interesses da Trilha T8: praias, riachos, mirantes.

seta-instinto-viajante 14. Trilha T9 (Provetá – Aventureiro)

Minha trip: Em Provetá ainda curti o mar pela manhã – me amarrei na praia com suas ondas frequentes e longos bancos de areia. Quando cansei repousei sob um cenário impagável, lembrando quão barato é viver e desfrutar: grátis. Antes de tomar a Trilha T9 (Provetá – Aventureiro) ainda pude presenciar uma acirrada disputa de pênaltis na pelada da molecada.

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Molecada jogando bola em Provetá, Ilha Grande/RJ

A Triha T9 é uma das que mais são comentadas como cansativas e de grande dificuldade. Eu sinceramente não vi isso, talvez por ter sido a primeira do dia, sendo assim indico o pernoite em Provetá. O que dificulta este trecho são as grandes subidas e descidas exigindo um esforço físico considerável.

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Trilha T9 (Provetá – Aventureiro)

Porém, a distância é de apenas 3,5 KM, portanto quando você menos perceber já está em Aventureiro. É como uma grande subida e uma grande descida apenas. Não há grandes riscos de se perder.

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Chegando em Aventureiro, Ilha Grande/RJ

• Aventureiro, Mirante do Espia e Mirante do Sundara

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Famoso coqueiro deitado de Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Minha trip: Essa trilha fiz descalço e demorei aproximadamente uma hora para chegar em Aventureiro.

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Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Aventureiro é famosa por ser recanto de uma galera mais tranquila, mais roots, inclusive por seu caráter caiçara bastante conservado. É um dos lugares mágicos de Ilha Grande. Lá o clima e o som do reggae imperam.

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Aventureiro, Ilha Grande/RJ

E, sim, Aventureiro é mesmo uma praia linda. A partir dela começa o trecho da volta completa em Ilha Grande que muitos consideram como o mais belo, no que toca as trilhas e as praias. O cartão postal, o coqueiro mais famoso de Ilha Grande, deitado após uma erosão, é incrível.

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Coqueiro deitado e a praia de Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Minha trip: Em Aventureiro reencontrei os amigos que também faziam a volta completa em Ilha Grande. Eram Felipe e Rodrigo, ambos do Rio de Janeiro e caras muito gente finas.

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Com o Felipe e o Rodrigo, em Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Mergulhamos próximo ao píer, um paraíso azul onde nadamos sem pressa na companhia de peixes e uma tartaruga. Esse local é mais indicado quando não há barcos por perto, pois os mesmos enchem a água de óleo, uma lástima.

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Local onde mergulhamos, perto do p[ier de Aventureiro, Ilha Grande/RJ – Sem filtro, acredite!

O Felipe e Rodrigo estavam no Camping do Ferreira, um bom camping e que possui telhados que protegem as barracas das chuvas. Lá conheci o Luciano, mineiro muito gente boa que é responsável pelo local. Ele me deixou usar água doce e esquentar um sopão que tinha na mochila, além de relaxar nas redes em frente ao camping.

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Redes do Camping do Ferreira, em Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Em Aventureiro enfrentei mais um desafio da volta completa em Ilha Grande: conquistar o Mirante do Espia. Para ir até este pico deve-se seguir um pouco mais adiante, após o píer. Há uma placa informando a direção, que é bem curtinha e fácil. O problema? Bem, para chegar no mirante é preciso subir por uma escada feita de cordas e canos, e um velho medo que tenho é o de lugares altos.

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Subida para o Mirante do Espia, Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Ali deixei meu medo de altura de lado em busca de mais uma vista privilegiada. A vista do Mirante do Espia é de tirar o fôlego, não deixe de visitar.

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Topo do Mirante do Espia, em Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Outro mirante da Praia de Aventureiro é o Mirante do Sundara que fica próximo do Mirante do Espia, bem perto do píer. Também há uma placa informando seu caminho que toma cerca de 30 minutos de subida constante. É um caminho simples, mas sempre subindo. Esse mirante, assim como seu vizinho, é imperdível! Talvez seja ainda mais belo que o Espia. Lá em cima há bancos onde pode-se sentar para descansar e pensar na vida. De lá se tem uma vista linda das praias de Aventureiro, Demo, Sul, Leste, além do Ilhote e do mangue, e das lagoas do Leste e do Sul.

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Vista do Mirante do Sundara – praias de Aventureiro, Demo e Sul, em Ilha Grande, RJ, Brasil

Estrutura/Interesses: restaurantes, bares, campings, mirantes, coqueiro cartão deitado, luau na areia, violão, igreja, surf, snorkeling. Não há sinal de celular e a energia elétrica é através do uso de geradores.

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Igrejinha de Aventureiro, Ilha Grande/RJ

Importante: Antigamente era necessária uma autorização da Turisangra, localizada na Praia do Anil, em Angra dos Reis, para permanecer em Aventureiro, atualmente as informações que tenho é que esta não se faz mais necessária. Consulte.

• Praia de Meros e Ponta do Drago

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Praia de Meros, Ilha Grande/RJ. Foto: speedprisma.blogspot.com

A Praia dos Meros é uma pequena faixa de areia próxima da Ponta do Drago. Não cheguei a visitá-la durante minha volta em Ilha Grande,pois além de possui acesso apenas por barco,ouvi dizer que por conta de uma grande propriedade particular o espaço na areia é ainda mais reduzido, tornando a praia sem grande apelo.

Apesar disso, suas águas são bonitas e limpas, com um mar forte normalmente de tom verde azulado, fruto de sua conservação. Conta-se que até hoje é possível ver indícios que levam a crer que pertencem a povos que habitaram a Ilha há mais de três mil anos, caso das pedras amolares também encontrados na Praia Preta, como já citei. Na frente da Praia dos Meros está a Ilha dos Meros, local normalmente utilizado para mergulho e pesca.

A Ponta do Drago pode ser vista por quem chega em Aventureiro por barco pelo lado oeste. Moradores dizem que em dias de mar muito forte, as ondas golpeiam as pedras, criando espumas que podem ser vistas da Parnaioca que fica a mais de 9 KM dali. Seu nome remete a sua forma que se assemelha a um dragão. Ela está bem próxima da Ponta dos Meros, no limite entre o mar aberto e as águas abrigadas. Para quem chega em Aventureiro de barco, esta é a parte famosa onde muitos passam mal e ficam preocupados com o mar agitado.

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Ponta do Drago, Ilha Grande/RJ. Foto: ilhagrande.com.br

Estrutura/Interesses:  pedras amolares, rica fauna subaquática, snorkeling, mergulho. Não há atividades comerciais de nenhuma espécie. Os barcos para a Praia dos Meros saem de Provetá (ponto mais próximo), Araçatiba, Praia Vermelha ou Abraão.

Importante: O local não possui fontes de água doce.

Acessos da Trilha T9: Saindo de Provetá só há Aventureiro pelo caminho. Nela pode-se chegar por trilha ou barcos que saem tanto de Abraão quanto diretamente do continente, navegando cerca de três horas em mar aberto  (em dias de chuva forte o serviço de barcos pode ser interrompido. Neste caso, veja a possibilidade de navegar até Provetá e caminhar até Aventureiro).

Estrutura/Interesses da Trilha T9: Praia, vila caiçara, mirantes, surf, igreja, camping, bares, restaurante, energia somente através de geradores, coqueiro deitado, luau na areia, violão, casas de farinha.

seta-instinto-viajante 15. Trilha Proibida (Aventureiro – Parnaioca)

Para completar este trecho é preciso atravessar as praias Do Demo, De Sul e De Leste (estas duas últimas com acesso proibido por estarem dentro da Reserva Biológica da Praia de Sul). Esta reserva possui 3.600 HA e foi criada em 1981. Dali deve-se seguir de barco diretamente até a Parnaioca.

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Estoupinha, a cadelinha de Ilha Grande, saindo de Aventureiro em direção à Praia do Demo, Ilha Grande/RJ

Minha trip: Quando passei por este trecho não havia fiscalização, mas ouvi dizer que membros do IPEA frequentemente estão no local, multando e retirando quem adentra o perímetro. A maneira de ir por este trecho de forma legal é conseguindo uma autorização junto ao órgão competente, mas essa é uma missão complicada para quem não é pesquisador. Outra possibilidade é tomar um barco que leve de Aventureiro até a Parnaioca.

Em relação as proibições de passagens e pernoites, sou contra. A natureza é livre e proibir é um ato humano. Sou a favor de se manter a preservação através da conscientização dos turistas e não da proibição. Limitar o acesso a belezas como esta pra mim é um pecado.

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Praia do Demo, em Ilha Grande/RJ

Fiquei dois dias em Aventureiro e na manhã seguinte parti para encarar a Trilha não oficial para a Parnaioca junto dos amigos Felipe e Rodrigo. Conosco dois cães que os havia seguido desde quando saíram de Abraão.

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Aventureiro e Praia do Demo vistas do Costão do Demo, em Ilha Grande/RJ

Importante: Ao sair para este trecho da volta completa em Ilha Grande é altamente recomendável utilizar filtro solar, boné e qualquer coisa que possa aliviar o castigo do sol, pois quase todo o trajeto é feito caminhando por praias e sob o sol. Priorize fazer pela manhã quando o sol é menos intenso e leve bastante água para se manter hidratado.

• Praia do Demo e Costão do Demo

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Chegando no Paredão do Demo, em Ilha Grande/RJ

Logo ao lado da Praia de Aventureiro está a Praia do Demo, uma praia quase sempre deserta e selvagem, e com ondas um pouco mais fortes. Seu mar é azulado e com a típica beleza encontrada neste lado da Ilha. Segundo conta uma das lendas de Ilha Grande, neste local vivia um louco constantemente perseguido por um ser sem cabeça.

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Demo, em Ilha Grande/RJ

Caminhando um pouco logo alcançamos a ponta da Praia do Demo, onde começa o Costão do Demo e uma placa indica que a partir dali é proibido o acesso.

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Placa do limite da Reserva Biológica da Praia de Sul, em Ilha Ggrande

Nesse trecho é preciso atenção, pois um escorregão pode significar uma tragédia. Além do tombo, o mar quebra com ondas impiedosas. Esse paredão toma nada mais que cinco minutos andando e mais ou menos no meio está o trecho mais complicado do Costão do Demo, onde marcações pintadas no chão indicam o melhor caminho para não escorregar.

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Costão do Demo, em Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: surf. Não há atividades comerciais de nenhuma espécie.

Importante: O local não possui fontes de água doce.

• Praia de Sul e Mangue

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Chegando na Praia de Sul, Ilha Grande/RJ

Terminando o Costão do Demo, chegamos na Praia de Sul, uma praia de caráter selvagem e deserta por conta da sua proibição. Pela areia é possível observar vestígios deploráveis da ação humana indevida de outros locais, pois através do movimento das marés muito lixo é trazido e encalham na extensa faixa de areia da Praia de Sul.

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Praia de Sul, Ilha Grande/RJ

A praia representa mais um pedaço do paraíso que é Ilha Grande. Devido suas ondas fortes é ótima para surfar e pude ver alguns surfistas quando passei por lá. No final da praia, deve-se seguir pela vegetação até o tão falado mangue que a separa da Praia de Leste.

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Praia de Sul, Ilha Grande/RJ

O mangue é bem curto, mas já ouvi muitas histórias de pessoas que passaram por lá com água no peito e de como é belo nessas ocasiões. Eu passei com ele bem raso, um pouco acima dos joelhos, e apesar de não estar cheio, ainda assim estava lindo. Lá me lembrei da Nação Zumbi cantando “fui no mangue catar lixo, pegar caranguejo, conversar com urubu…” ao ver um caranguejinho.

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Mangue entre as Praias de Sul e Leste, Ilha Grande/RJ

Infelizmente minha ignorância não me permite dizer qual é a espécie do caranguejo, mas acredito ser um maria-mulata / aratu-vermelho (Goniopsis cruentata).

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Caranguejo no mangue, em Ilha Grande/RJ

O ecossistema manguezal normalmente é formado em áreas onde há encontro de águas de rios e do mar. No mangue a fauna aquática e terrestre encontram as condições ideais para reprodução, berçário, criadouro e abrigo. É lá que nascem 95% dos animais que homens caçam no mar e é também um importante aliado na recuperação de áreas degradadas. O Brasil possui cerca de 25.000 km2 de mangues, totalizando 12% dos manguezais do mundo.

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Final do mangue entre as Praias de Sul e Leste, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: surf. Não há atividades comerciais de nenhuma espécie e o acesso e permanência são proibidos.

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Caminhada após o mangue, já na Praia de Leste, Ilha Grande/RJ

• Praia de Leste

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A fantástica Praia de Leste, Ilha Grande/RJ

Depois de cruzar o mangue chega-se no início da Praia de Leste, trecho onde a água do mangue, marrom, se encontra com as águas azuis dessa linda praia. Pra mim a praia mais bonita de Ilha Grande. A beleza da praia de leste é simplesmente inenarrável. Ficamos lá por mais de uma hora. Um paraíso que me fez pensar o quanto devemos ser gratos por ter lugares assim em nosso mundo, em nosso país, em nosso estado.

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Carcaça de tartaruga na Praia de Leste, Ilha Grande/RJ

Minha trip: Na Praia de Leste, Ilha Grande/RJ, voltei a ser criança. Fiquei o tempo todo dentro d`água, como fazia na infância. Lá pude relembrar como é descer em ondas “pegando jacaré”, brincadeira que não praticava a anos devido a um problema que tenho no ouvido. A praia tem tantos bancos de areia que é possível passar a arrebentação com água na cintura, mas ainda assim tem ondas, então conseguia descer as ondas sem molhar os ouvidos.

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Com os brothers que fiz na volta completa em Ilha Grande, na Praia de Leste

Com muito pesar juntamos nossas coisas para por o pé na trilha novamente, seguindo pelo trecho final até a Parnaioca. A Praia de Santo Antônio continua minha xodó, mas a Praia de Leste é pra mim a melhor praia de Ilha Grande.

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Praia de Leste, Ilha Grande/RJ

Estrutura/Interesses: surf. Não há atividades comerciais de nenhuma espécie e o acesso e permanência são proibidos.

Após cruzar toda Praia de Leste, deve-se entrar pela mata, no canto da praia, pegando a trilha que liga esta a Parnaioca. A trilha não é muito longa e possui um caminho ameno, ornamentado por um verde estonteante e uma incrível sensação de paz sintonizada com os sons da natureza. Após cruzar este que é, talvez, o caminho mais bonito da volta completa em Ilha Grande, chegamos a Praia da Parnaioca.

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Trecho da bela trilha Praia de Leste – Parnaioca.

• Parnaioca

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Praia da Parnaioca, Ilha Grande/RJ

A Praia da Parnaioca é simplesmente linda! Não é atoa que tem vaga garantida no meu Top5 de Praias de Ilha Grande. Sua beleza e tranquilidade são sublimes. O mar com ondas calmas e longos bancos de areia permitem ir bem além do que é comum nas praias,passando a arrebentação das ondas. Um mar indicado pra qualquer pessoa. Praia super indicada para quem quer relaxar. Sempre vazia, tranquila e com apenas três campings e pouquíssimos moradores.

Assim como sua areia, sempre limpa, a água também é muito bem cuidada e transparente azulada. Se a paz possui uma forma líquida certamente ela abriga as águas da Parnaioca, em Ilha Grande.

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Descansando numa rede de pescador na Praia da Parnaioca, Ilha Grande/RJ

A Parnaioca chegou a ser um dos povoados mais volumosos da Ilha Grande, apesar de tão vazia e pacata hoje, e lá é berço de algumas lendas. Diz-se que todos os moradores foram deixando suas casas principalmente pelo perigo apresentado por fugitivos do presídio de Ilha Grande, na praia vizinha, Dois Rios, que passavam frequentemente por ali. Todos exceto o João, mais conhecido como João Mulé. Este, permaneceu na Parnaioca, morando sozinho na praia deserta durante 15 anos, isolado e sem energia elétrica. Reza a lenda que João seria um bruxo, pois se camuflava como uma pedra para se proteger dos olhos dos fugitivos e se manter na praia em segurança. Infelizmente não o conheci, mas ele ainda mora por lá. Outra lenda, é que, segundo locais, ele se transforma em lobisomem em noites de lua cheia e corre da Parnaioca até Provetá – com o caminho longo e cansativo só pode mesmo ser lenda (risos).

Minha trip: Na Parnaioca, eu, Rodrigo e Felipe andamos até o camping do Seu Sílvio, figura ilustre das redondezas. O conheci rapidamente mas me pareceu um sujeito muito boa praça. No pouco tempo que ficamos lá ele logo compartilhou um pouco do seu almoço. Depois me separei dos amigos de trilha e segui solitário pelo inebriante caminho de ida até a Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca).

Estrutura/Interesses: restaurantes, campings, cachoeira, igreja, mirante, snorkeling, relaxar, lendas do “João Mulé” e histórias do simpático Seu Sílvio. A energia é através do uso de geradores.

Acessos da Trilha Não Oficial Aventureiro – Parnaioca: Saindo de Aventureiro o trecho é proibido, portanto o mais indicado é tomar um barco para a Parnaioca, ou que sai de Abraão ou de Dois Rios, caminhando pela Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca).

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Trilha Aventureiro – Parnaioca, Ilha Grande/RJ

seta-instinto-viajante 16. Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)

Minha trip: Ainda eram duas da tarde, então resolvi curtir um pouco a praia e seguir adiante até Dois Rios, sem fazer pernoite na Parnaioca.

Para começar a trilha, saindo da Parnaioca, basta seguir para o canto direito na rua paralela à praia. É um caminho bonito, suave e arborizado.

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Início da Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)

A Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca) é longa, com 7,5 KM em mata fechada até Dois Rios. É uma trilha de natureza muito conservada e bonita, e é nítida a pouca atividade humana por ali. A trilha possui orientação fácil, mas é de nível intermediário, pois seu caminho possui alguns pontos de subida. A dificuldade maior da trilha não são nem as subidas e descidas, mas sim a distância, que por ser uma trilha longa exige mais esforço físico. No trajeto há fontes naturais de água doce.

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Trecho de trilha fechado devido aos temporais, na Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)

Minha trip: Depois de caminhar os primeiros metroouvi um barulho e ao virar percebi que um dos cães que seguiam os amigos que fiz no caminho estava me seguindo. Era a Estoupinha que me seguiria fielmente até Abraão. Por conta dos temporais das noites anteriores, às vezes me deparava com troncos caídos ou mata mexida ao longo da trilha. Nas fotos abaixo estão trechos com um pouco mais de dificuldade na Trilha T16 (Parnaioca-Dois Rios).

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Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)

Trilha mexida devido aos temporais.

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Trilha T16 (Dois Rios – Parnaioca)

Ao chegar mais ou menos na metade da Trilha T16 (Parnaioca-Dois Rios) está Toca das Cinzas. Nessa pequena caverna fugitivos capturados eram amarrados e deixados até que “virassem pó”. A criativa mente humana sendo usada para idiotices mais uma vez.

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Toca das Cinzas, na Trilha T16 (Parnaioca-Dois Rios), em Ilha Grande/RJ

A Trilha T16 (Parnaioca-Dois Rios) tem um caráter mais selvagem e possui alguns pontos com água doce no caminho. Quando fui pude ver um tatu que passeava rebolante pela trilha e uma cobra ágil saindo do caminho e deixando à mostra apenas um pedaço do seu rabo preto, a única cobra que vi durante os cerca de 100 KM que andei fazendo a volta completa em Ilha Grande. É também durante a trilha T16 que está uma das figueiras mais famosas de Ilha Grande, enorme e de muitos anos de idade. Estoupinha, a cachorrinha-guia, latia e corria sempre fazendo minha segurança.

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Estoupinha se refrescando em um dos pontos de água doce da Trilha T16 (Parnaioca-Dois Rios)

• Dois Rios

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Praia de Dois Rios, Ilha Grande/RJ

Assim que se chega em Dois Rios é possível ver a lateral do antigo presídio de Ilha Grande. Seu início se deu em 1903, com a Colônia Correcional da Fazenda de Dois Rios. Em seguida, em 1931, passou a se chamar Instituto Penal Candido Mendes e abrigou presos políticos e/ou de alta periculosidade até 1994, quando foi implodido. Atualmente é onde funciona o ecomuseu do cárcere (estava fechado quando passei) e as instalações da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

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Antigo presídio de Dois Rios, atual ecomuseu do cárcere e instalações da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Dois Rios é um povoado bem arborizado com residências mais modernas que as da maioria das praias, de alvenaria e com luz elétrica.

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Ruazinha em Dois Rios, Ilha Grande/RJ

A praia é bem bonita e calma, suas ondas são leves e os bancos de areia permitem ir bem depois da arrebentação com água abaixo do peito.

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Dois Rios, Ilha Grande/RJ

Minha trip: Na praia, que estava bem deserta, eu e Estoupinha nos permitimos descansar um pouco antes de seguir rumo a Trilha T15 (Dois Rios-Caxadaço).

Dica: em frente ao prédio há um bica de água doce.

Importante: em Dois Rios só é permitido ficar até às 17 horas e então retornar para se hospedar em outro local. Lá não há serviços de hospedagens e há fiscalização frequente por parte dos guardas do INEA e da UERJ. Planeje-se para não correr riscos como de quando fui expulso da praia pelos guardas.

Estrutura/Interesses: praia, bares, restaurantes, rios, antigo presídio da Ilha Grande, museu, centro de estudos da UERJ, rios. Dois Rios possui opções de bares e restaurantes, mas não há serviço de hospedagens.

Acessos da Trilha T16: Para chegar em Dois Rios é possível pegar a trilha que sai da Parnaioca ou a que sai de Abraão, ou ainda os barcos que saem de Abraão.

Estrutura/Interesses da Trilha T16: Toca das Cinzas, fauna e flora abundantes, Praia de Dois Rios, antigo presídio da Ilha Grande, museu, centro de estudos da UERJ, rios. Dois Rios possui opções de bares e restaurantes, mas não há serviço de hospedagens.

Minha trip: Parti para a Trilha T15 (Dois Rios-Caxadaço) e a volta completa em Ilha Grande ia chegando ao fim, já me deixando aprendizados e saudades. Infelizmente as pilhas também chegaram ao fim e a foto a seguir foi a última que consegui tirar, ainda em Dois Rios.

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Praia de Dois Rios, Ilha Grande/RJ

seta-instinto-viajante 17. Trilha T15 (Dois Rios – Caxadaço)

• Caxadaço

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Praia do Caxadaço, Ilha Grande, Brasil. Foto: guriachique.com

A Trilha T15 (Dois Rios-Caxadaço) possui um total de 8,4 KM ida e volta numa trilha de esforço médio e fácil orientação.

A Praia do Caxadaço é espetacular e me fez lamentar ainda mais a falta de pilhas para a câmera, pois descarregaram. As águas são cristalinas e esverdeadas e é comum nadar ao lado de peixes, tartarugas e arraias. É sem dúvidas uma das melhores praias de Ilha Grande. De lá também há uma bela vista para a Ilha do Jorge Grego. O encontro entre água doce e salgada na praia é importante para o meio ambiente e lindo.

Minha trip: Mergulhei e relaxei no Caxadaço e então retornei a Dois Rios. Cheguei lá morto de cansado, pois estava andando desde a Praia de Aventureiro, e enquanto descansava na areia consegui fazer uma miscelânea com as pilhas. O presente foi um pseudo por do sol, já que em Ilha Grande não há locais para avistar um por do sol completo. Estava cansado, mas feliz e eu mal sabia o perrengue que iria passar minutos depois.

Estrutura/Interesses: praia deserta, snorkel, rios, não há atividades comerciais, nem hospedagens em Caxadaço.

Acessos da Trilha T15: Para chegar em Caxadaço é possível pegar a trilha que sai de Dois Rios ou Abraão, ou ainda os barcos que saem de Abraão.

Estrutura/Interesses da Trilha T15: Praia do Caxadaço.

Dessa trilha é possível seguir para Santo Antônio pela trilha não-oficial ou retornar um pouco e seguir para Abraão, em uma trilha mais fácil que não chega a ser trilha, mas sim uma estrada de terra batida.

seta-instinto-viajante 18. Trilha Não-oficial (Caxadaço-Santo Antônio)

Não segui pela trilha não-oficial que liga Caxadaço à Praia de Santo Antônio, pois soube por um ambulante que o caminho estava muito fechado e confuso. Em outra ocasião, conversei com dois mochileiros que disseram que fizeram a trilha e, apesar de acharem confusa, viram algumas marcações e conseguiram fazê-la. Pelo que soube, o caminho saindo de Caxadaço é mais fácil que o inverso. É uma trilha em mata fechada, pouco utilizada e com bifurcações, se for fazê-la tenha atenção e cuidado e evite fazer sozinho.

Atualização do leitor Murilo Esteban: a trilha não oficial do Caxadaço é de nível médio. O trecho mais difícil são os 30 minutos iniciais, onde há muitas árvores caídas na trilha e tem que parar muitas vezes para achar a trilha novamente, mas ela é demarcada por fitas amarradas nas árvores, justamente nesse trecho mais difícil. O resto é bem visível. Ao todo, são, aproximadamente, 3h30, com o mochilão.

• Santo Antônio

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Praia de Santo Antônio, Ilha Grande/RJ

Santo Antônio é pra mim a praia mais charmosa de Ilha Grande. Considero-a minha menina dos olhos de toda Ilha. É como uma Lopes Mendes, só que bem menor e menos frequentada. Está quase sempre deserta e selvagem, além de ser muito aconchegante. Alguns chegam a praticar Top Less e Nudismo (Naturalismo) por lá.

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Praia de Santo Antônio, Ilha Grande/RJ

A Praia de Santo Antônio possui uma linda pedreira e águas azuis e cristalinas, sendo uma das mais lindas praias de toda Ilha Grande.

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Praia de Santo Antônio, Ilha Grande/RJ

De Santo Antonio para a Praia de Lopes Mendes são cerca de meia hora por uma trilha que sobe em ritmo de fácil a moderado e possui fácil orientação. No fim da subida toma-se à esquerda para seguir para Abraão e à direita para ir a Lopes Mendes.

Estrutura/Interesses: praia deserta, snorkel, não há atividades comerciais, nem hospedagens em Santo Antônio.

Acessos da Trilha para Santo Antônio: Para chegar em Santo Antônio é possível pegar a trilha que sai do Caxadaço ou a que sai de Abraão, ou ainda os barcos que saem de Abraão.

Estrutura/Interesses da Trilha Não-oficial para Santo Antônio: Praia de Santo Antônio.

seta-instinto-viajante 19. Trilha T14 (Abraão – Dois Rios)

A Trilha T14, que liga Abraão a Dois Rios, é bem tranquila em termos de orientação, pois trata-se na verdade de uma estrada de terra, com 7 KM de distância. A dificuldade é média e pode ser feita, sem problemas, em cerca de 2h. O trajeto é uma longa subida até o meio do caminho e, depois, uma longa descida até o fim.

Estrutura/Interesses da Trilha T14: Praia de Dois Rios; acesso para a praia do Caxadaço; e acesso para a trilha do Pico do Papagaio.

Minha trip: Como mencionei, preferi não fazer a trilha Caxadaço-Santo Antônio, então retornei para a praia de Dois Rios. Lá chegando, deitei na canga ao lado do Estoupinha, para ler, descansar e me preparar para passar a noite.

Acontece que, para minha surpresa, fui abordado por dois guardas que faziam uma ronda pela praia. Ambos foram enfáticos em me expulsar, alegando que eu não poderia estar em Dois Rios após às 17h. Detalhe: já eram 19:20h e o sol estava se pondo por volta das 20h. Argumentei que seria impossível voltar os 7,5 KM para a Parnaióca ou seguir pelos 7 KM até Abraão, antes de escurecer, e que eu não possuía lanterna. Eles ignoraram o fato e corri para a trilha rumo a Abraão.

Para minha sorte, essa não é trilha no mato e sim uma estrada larga de terra. Corri o quanto pude, pois já havia andado mais de 20 KM durante o dia e a trilha íngreme me castigava. O sol foi embora, dando lugar a uma fina lua minguante e, no escuro, prossegui, em meio a morcegos, vaga-lumes e barulhos da mata. Agradeci pela cadelinha Estoupinha que me seguia fielmente.

Mais ou menos na metade da trilha, estava morto e, talvez pelo medo, pensei ter visto uma criança rolar da lateral da trilha. Segui meu rumo ao lado da cadela e nem olhei para trás. Acho mesmo que foi coisa da minha mente assustada, mas no momento tive calafrios. Pouco mais adiante encontrei 2 casais com lanterna e com eles pude seguir em uma caminhada normal até Abraão.

Já havia visto jacaré, lagartos, cobra, tatu; ouvido macacos bugios; subido morros íngremes; escapado de temporais; trilhado na chuva; caído na lama; sentido sede e dor; mas faltava uma trilha noturna sem lanterna. Ela veio, e foi quem selou minha Volta a Ilha Grande. Completei meus mais de 100 KM, com um trekking final de 30 KM em um dia. Um role de superação pessoal, medo, alegria e encontro comigo mesmo. Me senti vivo a todo instante!

seta-instinto-viajante 20. Trilha T10 (Abraão – Pouso)

A Trilha T10 (Abraão-Mangues-Pouso) é uma das mais tradicionais de Ilha Grande, pois é caminho para quem quer chegar em Lopes Mendes caminhando.

É uma trilha muito tranquila em termos de orientação, e de grau médio em termos de esforço, pois possui subidas e descidas. Totaliza 6 KM, percorridos em cerca de 2h30.

Saindo de Abraão, passa pela praia Brava e, logo em seguida, chega-se em Palmas.

• Praia de Palmas

Palmas é uma praia muito simpática e de boa energia para quem quer ficar próximo de Abraão, mas em uma vibe mais tranquila. Foi lá que acampei na minha primeira visita a Ilha Grande.

Tem uns bares e restaurantes, alguns campings e, as vezes, um forró com música ao vivo, a noite. Se você não quiser chegar por trilha, há a possibilidade de chegar de barco (taxi boat).

Se você vai acampar, indico o Camping Nascer do Sol, do Alexandre, sujeito gente boa que me ajudou durante minha trip. O último camping, do lado esquerdo da praia (de quem olha de costas para o mar), por sua vez, não indico, pois fui tratado com muita grosseria por um sujeito careca.

Estrutura/Interesses: hospedagens, restaurantes, praia.

Minha trip: Na trilha T10, encontrei água doce e aproveitei para um banho, escovar os dentes, e beber água. Enchi minha garrafinha d`água e segui.

Quando voltava do Farol da ilha, desenrolei com o Alexandre e ele concordou em guardar meu mochilão até o final do role, e com uma mochila de ataque somente com itens muito básicos. Com essa mochila fiz boa parte do trajeto de volta a ilha.

• Praia de Mangues

A praia de Mangues é pequena e parecida com a de Palmas, com a diferença de que não é muito movimentada e não possui nada muito além de algumas poucas casas. Talvez tenha algo comercial, mas quando passei não vi nem restaurantes funcionando. É uma praia de passagem.

Estrutura/Interesses: praia.

Minha trip: De Mangues segui para o trecho final da trilha T10 e depois de pouco mais de 6 KM, cheguei a Praia do Pouso.

• Praia do Pouso

A praia do Pouso se parece um pouco com as anteriores e também acaba sendo uma praia de passagem. Nela geralmente encostam barcos que chegam para almoçar e passar o dia.

Minha trip: Contemplei a paisagem e descansei na Praia do Pouso. No fim da praia, reabasteci minha água com a ajuda de um morador. Dali segui para a Trilha T12 (Pouso-Farol dos Castelhanos.

Estrutura/Interesses: hospedagens, restaurantes, praia.

Estrutura/Interesses da Trilha T10: Caminho para as praias de Palmas, Mangues, Pouso e Lopes Mendes; acesso a trilha para a praia dos Castelhano e o Farol de Ilha Grande; algumas fontes de água pelo caminho.

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Fontes de Pesquisa: moradores locais e Mapa Detalhado de Bernardo José.

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